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Um dia, a tapioca vira

Um convite para reconhecer as pequenas e grandes viradas que mudam nossos caminhos - nos negócios, nas relações e na vida
Bia Araújo fala sobre como a cozinha abriu caminhos para sua trajetória na gastronomia, na comunicação e na escrita. Foto: Opinião CE

Quem é do Nordeste provavelmente já ouviu alguém dizer: “A tapioca virou para mim.”

Não é exatamente sobre tapioca. É sobre aquele momento em que alguma coisa muda de lugar dentro da vida. Uma oportunidade aparece. Um negócio começa a caminhar. Um filho chega. Uma escolha dá certo. Uma porta se abre.

Mas eu tenho pensado que talvez a tapioca não vire apenas uma vez. Ela pode virar muitas vezes. Pode virar numa segunda-feira qualquer, quando a gente consegue equilibrar os pratos da vida e chegar ao final do dia com a sensação de que, apesar da correria, deu certo.

Pode virar quando conseguimos visitar um amigo que não vemos há muito tempo. Quando fechamos aquele orçamento que estávamos esperando. E pode virar até quando não fechamos. Porque, às vezes, não fechar um negócio também é uma boa notícia. Talvez aquele cliente não fosse o perfil que procurávamos. Talvez aquela oportunidade ocupasse um espaço que precisava estar disponível para outra coisa.

A gente nem sempre consegue perceber isso na hora. Tem tapioca que vira para frente. Tem tapioca que vira para trás. Tem aquelas que fazem a gente avançar alguns passos e outras que nos fazem recuar para pensar melhor no caminho. E tudo bem.

Talvez a vida seja feita muito mais dessas pequenas viradas do que daqueles grandes acontecimentos que a gente costuma contar como se fossem os únicos responsáveis por tudo o que veio depois. Trabalho, família, amizades, escolhas, encontros, erros, acertos. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E, no meio disso, a gente vai virando.

Foi pensando nisso que nasceu uma conversa que eu queria ter há algum tempo.

Quando foi que a tapioca virou para você?

Não quero saber apenas quando você ganhou dinheiro ou quando o negócio deu certo. Quero saber das pequenas e das grandes viradas. Da decisão que mudou uma rota. Do encontro que abriu uma porta. Do momento em que você percebeu que precisava desistir de alguma coisa. Daquilo que parecia uma perda e, algum tempo depois, fez sentido. Nas próximas semanas, vou ouvir histórias de pessoas diferentes, de áreas diferentes, com caminhos diferentes.

Algumas vão falar de grandes conquistas. Outras, talvez, de momentos que nem pareciam importantes quando aconteceram.

E é justamente isso que me interessa. Porque a tapioca não precisa virar uma única vez para a vida fazer sentido. Ela pode virar hoje. Pode virar amanhã.

Pode virar quando a gente avança e também quando percebe que precisa mudar de direção. E o mais importante é ter discernimento para reconhecer essas pequenas mudanças enquanto elas acontecem e agradecer pelo caminho que elas estão construindo. Afinal, a vida não é uma linha reta. A tapioca muito menos. Por isso, te pergunto: quando foi que a tapioca virou para você?