Menu

Um Ano de Esperança

Dois mil e vinte e cinco foi um ano difícil para bastante gente. Acompanho milhares de famílias e educadores em aulas e conversas semanais, e acho que nunca ouvi tanta gente sem esperança como no ano que passou.

Porque sou teimoso, e porque gosto de ler jornais, mas não paro neles, eu sabia que havia motivo para esperançar. Não é preciso ter otimismo, mas é preciso insistência. A boa notícia nem sempre é a manchete principal.

No dia 31 de dezembro, quando o ano estava se despedindo, a BBC Brasil divulgou motivos para começarmos 2026 com outra disposição, mais esperançada. Listou “Sete Vitórias para o Clima em 2025”:

  1. Finalmente, as energias renováveis, como a solar e a eólica, superaram o carvão como principal fonte de eletricidade no planeta Terra.
  2. Foi assinado um acordo global para proteção da vida marinha, que estava pronto desde 2023, mas que precisou da pressão de 2025 para acontecer.
  3. Durante a COP-30, o Brasil anunciou metas para redução de desmatamento e criou um fundo para proteção de florestas existentes. (Além disso, adiciono, segundo o INPE, atingimos a menor taxa de desmatamento da Amazônia dos últimos dez anos e estamos quase na taxa de 2012, que foi a menor da história).
  4. Uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça abriu caminho para ações jurídicas internacionais em relação às mudanças climáticas.
  5. Vários animais saíram da lista de perigo de extinção, como espécies de focas, camelos, tigres e tartarugas marinhas.
    Boas novas não são motivos para descansar. Todos sabemos que há muito para ser feito. O papel das boas notícias é nos mostrar que a luta e a insistência valem a pena. Nossos esforços não são em vão.

Além do meio ambiente, as coisas melhoraram em outras frentes:

  • A primeira vacina 100% nacional contra a dengue foi produzida pelo Instituto Butantã e aprovada pela Anvisa.
  • Graças a muita luta de longa data e um reforço especial com o documentário do youtuber Felca, aprovamos o ECA Digital, para proteger nossas crianças na internet.
  • As taxas de alfabetização de crianças no Brasil melhoraram. Não atingimos a meta porque a catástrofe no Rio Grande do Sul interrompeu as aulas e puxou a média do país para baixo, mas progredimos.
  • Crimes de violência sexual deixaram de contar com prescrição ou atenuante por idade, oferecendo uma camada a mais de proteção às mulheres brasileiras.

Repito: Nada disso quer dizer que está tudo bem, ou que podemos descansar. Paulo Freire disse perfeitamente: “Sem um mínimo de esperança não podemos sequer começar o embate, mas, sem o embate, a esperança… se torna desesperança que, às vezes, se alonga em trágico desespero. Daí a precisão de uma certa educação da esperança.”

Finalmente, uma última boa notícia de 2025: Nasceu o Opinião Criança, um especial do jornal Opinião CE produzido especialmente para as crianças e seus adultos, com textos originais para os pequenos, dicas de cuidado e educação, atividades práticas e boas histórias. Se você ainda não conhece, vai adorar conhecer!

Outro Jeito de Pensar a Esperança

Rebecca Solnit, jornalista, escreveu Hope in the Dark (Esperança no Escuro, sem tradução para o português). No livro, ela nos ajuda a enxergar a esperança de uma forma nova.

No livro ela alerta: “Nossos oponentes adorariam que você acreditasse que não há esperança, que você não tem poder, que não há razão para agir, que você não pode vencer.” Mas nos lembra que a esperança mora nas histórias não-contadas e no esforço de pequenos grupos (como a vacina do Butantã e as várias ONGs que conquistaram muitas das boas notícias que eu trouxe nesta coluna).

Sobretudo, nos lembra que o futuro é, por definição, desconhecido. Por isso, ele pode ser mudado. “A esperança é se entregar ao futuro, e esse compromisso torna o presente habitável.”