O professor e historiador Evaldo Lima, que já foi vereador em Fortaleza e ocupou cargos executivos na Prefeitura, vem dedicando os últimos meses a pesquisar a vida e a memória de um dos mais emblemáticos religiosos do Ceará, o padre e professor Haroldo Coelho (1935-2013). Profundamente ligado aos movimentos populares, Haroldo havia militado no PT e era quadro do PSOL. Foi ordenado com 1964 – justamente quando começou o mais sombrio período na vida brasileira – e logo se alinhou com a resistência contra a ditadura. Sociólogo, com pós-graduação na Sorbonne (França), ministrou aulas na Universidade Estadual do Ceará até se aposentar. Em 1986, colocou-se para os eleitores como opositor ao coronelismo e à geração CIC, candidatando-se a governador do Estado. Foi, como era de se esperar, triturado pelas máquinas do poder. Mas deixou um slogan que ainda hoje merece ser lembrado: “Bote fé no seu voto”.
Era
Evaldo Lima tem como parceiro no livro o também historiador, professor e pesquisador Nonato Nogueira. A edição ficou a cargo do Inesp, instituto de estudos e pesquisas da Assembleia Legislativa do Ceará, com prefácio do deputado Evandro Leitão (PDT). Evaldo e Nonato não se limitaram a um mero relato de fatos da vida do biografado, mas da abordagem de uma época em que a força do verbo reagir era a mesma de sobreviver.
Nova era
“Padre Haroldo: Uma Biografia” é um livro sintonizado com meios modernos. Será lançado em formato digital e apresentação será online, às 19 horas do próximo dia 10. Haverá também atos presenciais “em locais da jornada existencial” de Haroldo, explica Evaldo Lima, como o Bairro do Pirambu, a Uece, igrejas e sindicatos.
Tem de suar!
A Câmara de Fortaleza fez nesta semana sessão solene para homenagear da Federação Cearense de Atletismo, que está completando 50 anos de fundação. A propósito, a quantidade de vereadores precisando entrar em forma não cabe numa raia de maratona.
Haja grama. E grana
Na mesma pegada, vale notar o entusiasmo de alguns parlamentares por equipamentos esportivos. Num dia só, por exemplo, Luciano Girão (MDB) apresentou 21 projetos autorizando a Prefeitura a construir areninhas em bairros periféricos. Isso mesmo: vinte-e-um!
Vai além
A prorrogação da CPI do Motim, na Assembleia Legislativa, que investiga como agiram no movimento de PMs e bombeiros as organizações que representam militares, não flagrou ninguém cochilando. A extensão dos trabalhos era pedra cantada em blitze, quarteis, associações e no comando da campanha bolsonarista do deputado Wagner Sousa (União).
