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Telas podem fazer bem!

As pesquisas sobre os malefícios das telas são verdadeiras, mas oferecem um retrato incompleto da realidade. As telas podem fazer bem, se forem bem usadas
Foto: reprodução

Quando sento com meu filho para um jogo virtual cooperativo, conversamos e damos risada, negociando estratégias e fazendo piadas. Conversas maravilhosas acontecem entre avós e seus netos, que moram distantes e se encontram em chamadas de vídeo. Quando nos dizem que um período longo de exposição a telas faz mal, os pesquisadores não pensam em situações assim.

Os estudos quase sempre levam em consideração os usos mais comuns: Vídeos verticais curtos, redes sociais e jogos muito estimulantes de acumular pontos e moedas, assim como as apostas virtuais que fazem perder moedas muito mais concretas. Junto com a pornografia gratuita e sempre disponível, esses usos assombram a infância e a adolescência.

Cada uma dessas atividades traz um leque de malefícios: comprometimento da atenção e da autoestima, desconexão social, insônia, objetificação sexual e, em todos os casos, a ameaça constante do vício que destrói décadas de vida de suas vítimas.

Nada disso está presente se usarmos o Google Earth para explorar as ruas de Nova Délhi, ou as paisagens dos fiordes do norte da Europa. É possível fazer jogos de caça ao tesouro com o Google Maps, e usar simuladores em 360 graus para visitar museus e pontos turísticos no mundo todo, inclusive com óculos de realidade virtual. Isso é bom!

Também faz bem usar a tela para jogos cooperativos sem recompensa, como Minecraft, que é um dos sucessos mais benéficos para a saúde mental. Muito melhor, por exemplo, que o Roblox, diferente porque é competitivo, e porque estimula o sujeito a jogar para ganhar recompensas, e não pelo desafio ou a criação.

Assistir filmes com as crianças e os adolescentes com um balde de pipocas no colo só é ruim porque eles podem acabar dormindo sem escovar os dentes. De resto, é uma experiência maravilhosa, e ajuda a firmar pontes e criar memórias. Assim como usar o celular para fazer o filme de uma viagem, ou para uma animação em stop motion – experiências criativas estimulantes e que contribuem para o bem-estar.

Se compreendermos de partida que a vida real é sempre melhor que a vida virtual, podemos recorrer a jogos cooperativos, simuladores e apps de criação para experiências digitais enriquecedoras, divertidas, que não se encaixam nem no estereótipo, nem nas listas de problemas que a tecnologia trouxe para a infância e a adolescência.

É verdade que o uso das telas exige atenção. Mas atenção é diferente de medo. Podemos usar essa atenção para compreender, explorar e experimentar, de preferência junto com nossos filhos, o melhor que as telas têm a oferecer.