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SOU COZINHEIRA E NÃO POSSO ESQUECER DE COZINHAR

Voltar a criar é, muitas vezes, voltar para casa. Não necessariamente para um endereço físico, mas para um lugar interno onde tudo faz sentido de novo.

Recentemente, trouxemos de volta os almoços aqui na Casa Nupê. Um formato que já existiu em outra fase da minha vida, em outro espaço, e que agora retorna com novos pratos, novos sabores e uma nova maturidade. São sete pratos inéditos, pensados com calma, testados, ajustados e recebidos com uma adesão que tem sido muito generosa.

Mais do que ocupar um novo horário da casa, esses almoços representam algo muito importante para mim: a possibilidade de criar com presença. De usar o próprio espaço como laboratório vivo, onde ideias ganham corpo, onde o público prova, reage, opina, participa do processo.

Por mais que hoje eu esteja à frente de um negócio, sigo acreditando que minha força vem da cozinha. É ali que eu estudo, observo, desenho sabores e me reconecto com o que me move. Criar novos pratos, pensar combinações, ajustar temperos — tudo isso me organiza. Me prepara. Me anima.

O almoço virou esse momento de retorno. Um espaço de concentração criativa, mas também de troca. Receber clientes em outro ritmo, em outro horário, traz uma energia diferente. É menos sobre espetáculo e mais sobre constância. Sobre construir algo que se sustente no dia a dia.

Trazer influenciadores para provar, compartilhar e amplificar essa experiência faz parte do processo, claro. Mas o mais valioso continua sendo o contato direto: ver o prato chegar à mesa, observar reações, ouvir comentários espontâneos. É ali que a ideia se confirma — ou se ajusta.

Criar novas coisas dentro da própria casa é um privilégio. Mas, acima de tudo, é uma escolha. A escolha de não se acomodar, de continuar estudando, testando, errando e refinando. De entender que crescer também é aprofundar. 

No fim, o almoço é só o formato. O que está sendo servido, de verdade, é movimento.