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Sobre Rachel, Clarice e onde os meus limites me levaram em 2025

Comecei o ano de 2025 de ressaca, chateada e com enjôo. Uma premonição para um ano ruim, conforme Rachel de Queiroz. Segundo a autora cearense, o que a gente faz no primeiro dia do novo ciclo, irá passar o ano todinho repetindo.

Apesar da estreia de 2025 ter sido dessa forma, o balanço do ano foi mais do que surpreendente. Nada de ressaca ou enjôo. Mesmo com algumas chateações, foi um ano de colheita, de florescer, de várias primeiras vezes e de cura em muitos aspectos.

Um ano sobretudo para aprender a dizer não. Entender o que o corpo e a mente não aceitam mais. Impor limites. Parar de segurar a corda da resiliência e insistir no que não funciona. O não é uma frase completa, para quê tantas justificativas?

Não tenho mais tanta vontade assim de agradar o mundo. Eu sou o que sou e quem gostar que se achegue. Sem tempo para correr atrás de quem decidiu ter distância. A vida é dinâmica demais para lamentações e prestar contas de cada passo.

Dizer não passa por assumir o risco de enfrentar novos caminhos. Continuo caminhando para o que quero. Aqui, acolá, recalculo a rota. Nem toda experiência dá bons resultados. A gente aprende com os erros. No entanto, sei me encaminhar para realizar os sonhos que persigo e eles andam mais palpáveis que nunca.

Ser jornalista continua sustentando o arroz e feijão da minha família. Ao ofício de sempre, se juntaram outros talentos que não sabia que tinha. Com receitas culinárias novas, habilidades testadas em cima da hora e bastante ousadia de perguntar e sair vendendo pauta e outros produtos, somando tudo, as contas vem sendo pagas.

Sorte de principiante? Nada disso! Ando longe de ser iniciante em alguma coisa nessas áreas. Já são mais de 20 anos, tanto no jornalismo, como nas vendas.

Na escrita, os frutos dos últimos anos de “teima” também começam a surgir. Foram prefácios para novos livros, palestras, oficinas de escrita em outras cidades, mesas redondas em feiras literárias e na Bienal do Livro do Ceará, entrevistas e participação em duas coletâneas de textos. Uma delas, em um concurso super concorrido sobre o tema que rendeu o livro de estreia: Fortaleza, meu amor de sempre!

Malhei o ano todo. O shape veio? Não! Mas, a saúde mental estabilizou. Como os músculos depois dos 40 anos anos saem no banho, vou continuar nessa peleja por muito tempo. Pretendo conseguir caminhar bem daqui a 20 anos. Levantar e sentar sem ajuda e, quem sabe, correr, se for necessário. Sem músculos, não vai dar para fazer nada disso. Se eu ficar mais gostosa nesse percurso, ótimo! Se não, a mobilidade já vai ser uma grande vitória.

A maior vitória do ano veio de coisas simples que a maioria das pessoas têm sem grandes esforços e só nota quando perde. A saúde nossa e de quem vive conosco. Passar de fase nos estudos. Fechar o ano sem estar no vermelho. Escolher o que vai comer no almoço ou no jantar. Abraçar quem amamos.

O ano que está quase no fim ainda me trouxe duas borboletas monarcas lindas. Esse hábito exótico de salvar as lagartas das formigas e trazer para casa continua provocando reflexões. Para se transformar e seguir para a próxima etapa, a gente sangra e deixa o casulo.

Que em 2026, possamos seguir dizendo não para o que atrapalha e nos impede de sair do casulo. Como dizia Clarice Lispector, depois do medo, vem o mundo. Sigamos sem tanto medo para o que nos espera no ano vindouro. Feliz 2026!