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Sobre esperança e as reformas recentes do patrimônio histórico

* Ilustração é de autoria do artista visual cearense Vando Figueiredo

Ando esperançosa com as notícias de reformas. Mas, nem sempre fui desse jeito. Durante todo o processo de construção do livro Cidades Invisíveis, toda vez que eu via notícias de que algum lugar histórico seria fechado para reformas, eu já me decepcionava por antecipação. Imaginava que nunca mais veria o prédio em funcionamento. Das duas, uma: ou a reforma não seria concluída ou modificaria o imóvel de uma maneira irreversível, a ponto de deixar tudo desinteressante ou estragado.

No entanto, depois de ver como ficou linda a nova Estação das Artes, com tantos espaços culturais bem aproveitados, eu passei a ter esperança.

Há dez anos, a maior parte de todo aquele complexo era formada por galpões fechados em ruínas, praticamente. Tenho certeza, inclusive, que a maioria dos usuários do transporte ferroviário nem prestava atenção na beleza do prédio. Também, pudera. Ali era só uma estação central, muitas vezes, suja e lotada. Os espaços eram escuros.

Hoje, ao percorrer o Kuya – centro de design, a Estação das Artes, com tantas programações bacanas, o Museu Ferroviário e a Pinacoteca, só tenho muito é orgulho de terem transformado a minha velha estação João Felipe naquela lindeza. Valeu muito a pena.

A mesma impressão eu tenho da Ponte dos Ingleses. Se ocuparem bem os quiosques e tudo permanecer seguro e conservado, temos um mirante ainda melhor que o anterior. Isso porque o piso está mais seguro pra gente passear e põe ser de cimento, vai permanecer assim por muito mais tempo.

Além disso, a escultura La Femme Bateau, de Sérvulo Esmeraldo, lá no fim da parte inconclusa, quando anoitece, fica ainda mais charmosa iluminada.

Então, se anunciaram uma grande reforma para o Farol do Mucuripe, eu já quero começar a comemorar. Porque talvez assim eu possa mostrar aquela vista para os meus filhos.

Com aquela vista linda e uma revitalização, ali poderia ser até mesmo um polo gastronômico. Tem outros lugares do grande Mucuripe que já são, inclusive. Vide o exemplo do morro de Santa Terezinha, que tem uma muqueca de arraia deliciosa, dizem.

O Farol transformado em museu, com um mirante acessível e um polo gastronômico? Será se eu posso sonhar com isso? Ou é uma quimera? O tempo vai dizer.