Existe uma ideia muito romantizada sobre empreender. As pessoas costumam enxergar o que aparece. Uma empresa consolidada, uma equipe preparada, clientes que confiam no trabalho e uma marca que ocupa seu espaço. Mas empresa nenhuma chega ao sétimo ano sustentada apenas por boas ideias. Ela chega porque alguém tomou decisões difíceis quando ninguém estava olhando.
Porque alguém precisou abrir mão do confortável. Porque alguém continuou trabalhando mesmo quando a resposta do mercado demorou a aparecer. Empreender não é sobre inspiração. É sobre responsabilidade.
Responsabilidade com as pessoas que trabalham ao seu lado, com os clientes que escolhem a sua empresa e com cada decisão que pode comprometer anos de construção. Nestes sete anos, aprendi que uma empresa não cresce apenas quando vende mais. Ela cresce quando cria processos. Quando aprende a dizer não. Quando entende que nem toda oportunidade merece ser aceita. Quando deixa de agir por impulso e passa a agir por estratégia. Também descobri que existe uma grande ilusão na palavra “experiência”.
Muita gente acredita que, depois de alguns anos, o empreendedor finalmente aprende tudo. Eu penso exatamente o contrário. A cada novo ciclo surgem problemas inéditos, mercados diferentes, equipes maiores ou menores, responsabilidades e decisões que nunca haviam sido tomadas antes. Talvez o maior aprendizado seja justamente aceitar que nunca saberemos tudo.
Empreender também é conviver com essa ausência de respostas prontas. É decidir mesmo sem garantias. É recalcular a rota quantas vezes forem necessárias. É entender que experiência não elimina os desafios. Ela apenas muda a forma como escolhemos enfrentá-los. A Casa Nupê completa sete anos neste mês. E, sinceramente, não vejo esse número como uma linha de chegada. Vejo como a consequência de milhares de decisões invisíveis. Das escolhas que ninguém fotografou. Dos problemas que nunca chegaram às redes sociais. Dos dias em que permanecer foi muito mais importante do que crescer. Sete anos não representam estabilidade.Representam continuidade. E continuar, no empreendedorismo, talvez seja uma das decisões mais difíceis de sustentar.
