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Se puder, brinque com as crianças

É claro que você é uma pessoa ocupada. Por isso, serei claro: brincar com as crianças é mais importante que todo o resto.

Crianças com vínculos seguros com seus adultos suportam até mesmo as circunstâncias mais difíceis. Adultos que brincam com seus filhos, sobrinhos e alunos protegem essas crianças das inseguranças da vida, mais até do que aqueles que ganham muito dinheiro ou ensinam todo o conteúdo necessário.

No fundo, todos sabemos que uma criança que brinca é mais feliz, e entendemos que as brincadeiras entre adultos e crianças fortalecem os laços, melhoram o humor de todos os envolvidos e facilitam o dia a dia.

Mas a ciência vai além. Um artigo sobre saúde mental de crianças produzido pela Unesco é bem didático: “As crianças que brincam regularmente com os pais são menos propensas a desenvolver ansiedade, depressão, agressividade e problemas de sono.”

Para brincar vale tudo, desde que seja um prazer para todos. Caminhar ao redor do quarteirão com seu filho de dois anos é brincar, e guerra de esguicho ou travesseiros com os mais velhos também é.

Existem as brincadeiras mais agitadas, de pega-pega e pique-bandeira, e as mais calmas, como jogo da memória. Algumas brincadeiras a gente consegue fazer parado, e sem brinquedos, como “Vamos falar nomes de partes do corpo” ou jogos do tipo Adoleta.

Existe um outro grupo de atividades de que as crianças gostam muito, e que podemos fazer com o que temos em casa, chamadas de Vida Prática. Essas atividades melhoram o desenvolvimento da parte mais racional do cérebro das crianças, o córtex pré-frontal, aumentam a concentração e o autocontrole.

Para fazer Vida Prática com as crianças, pense nas coisas que elas conseguiriam fazer em casa, mas ainda não fazem. Ela pode começar te ajudando a colocar as frutas na fruteira quando chegar do mercado, ou regando as plantas da varanda sem ajuda.

Para as atividades de Vida Prática funcionarem, a gente precisa mostrar com um pouco de paciência, como se fosse um jogo novo, mesmo. Vale a pena fazer da primeira vez e chamar a criança para olhar como é. Ajuda se a gente fizer devagar, para a criança acompanhar tudo. Um alerta importante: Ela vai errar. Quando a criança erra nas brincadeiras, não leva bronca, e é importante ela não levar bronca aqui também. A gente pode ajudar a consertar o erro, e bola para frente. Aos poucos, ela vai ficar boa.

Comece com o que é fácil e, aos poucos, experimente as opções mais difíceis. Sua criança vai ficar mais independente, mais calma e mais alegre, porque nada disso é obrigação, e ela só está se tornando mais competente diante da vida.

Nesse finalzinho de setembro amarelo, lembre-se: para proteger a saúde mental das crianças, o melhor caminho é brincar com elas. Você vai descobrir que brincar também é muito bom para você!

A Caixa de Brincadeiras da Unesco

Para brincar com as crianças, mesmo sem ideias, e entender o poder da brincadeira, visite a Caixa de Brincadeiras da UNESCO

Você encontrará guias para nunca mais ficar sem saber o que fazer. O site está em inglês. Para ler em português, cole o link no Google Tradutor. Fica ótimo.

Outra opção é o Território do Brincar, com uma galeria de Brincadeiras pelo Brasil.

Para carregar ideias no bolso, use o baralho Brinca Comigo, da Editora Mol em uma parceria com a AACD e os Amigos do Bem. Está em algumas das maiores lojas de brinquedos e online.

Para as atividades de Vida Prática, confira os livros O Bebê Montessori (para crianças até 18 meses) e A Criança Montessori (para as que tem até 3 anos), escritos por Simone Davies e Junnifa Uzodike, editados pela NVersos.