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Salário que evapora antes do mês acabar (e não é mágica)

Se você já abriu o aplicativo do banco ali pelo dia 15 e pensou “ué, mas o mês nem chegou na metade…”, saiba que você faz parte de um grupo enorme. Uma pesquisa recente da Serasa Experian mostrou que mais de 5 em cada 10 trabalhadores brasileiros não conseguem chegar ao fim do mês com o salário na conta. Não é exagero, nem drama financeiro: é estatística.

O retrato é mais ou menos o seguinte. O salário cai, as contas caem logo atrás e, quando a poeira baixa, sobra mês e falta dinheiro. Alimentação, aluguel, luz, água, internet, transporte… o básico já consome quase tudo. E quando aparece um imprevisto — remédio, conserto, escola, manutenção do carro — o orçamento simplesmente não aguenta. A saída, muitas vezes, é recorrer ao cartão de crédito, ao parcelamento eterno ou a algum tipo de renda extra para fechar o mês no azul (ou pelo menos menos vermelho).

O estudo da Serasa Experian também mostra algo curioso: pouca gente sente que realmente tem controle das próprias finanças. Não é falta de inteligência, é falta de planejamento mesmo. O brasileiro médio até sabe quanto ganha, mas raramente sabe exatamente para onde o dinheiro está indo. Quando percebe, já foi.

Outro ponto importante é que o salário não acompanha o custo de vida no mesmo ritmo. Os preços sobem, os boletos se multiplicam e o reajuste salarial, quando vem, mal dá conta do recado. Some a isso a facilidade do crédito — parcelar virou esporte nacional — e está montado o cenário perfeito para o dinheiro acabar antes do mês.

Mas calma, nem tudo está perdido. Manter o salário vivo até o fim do mês exige menos milagre e mais método. O primeiro passo é simples, embora muita gente pule: organizar. Saber exatamente quanto entra e quanto sai muda o jogo. Não precisa ser uma planilha digna de auditoria, pode ser um aplicativo ou até um caderno. O importante é enxergar o fluxo do dinheiro. Quem não controla, é controlado.

Outro hábito que ajuda muito é separar o dinheiro assim que o salário cai. Guardar um valor — mesmo pequeno — logo no começo do mês cria uma espécie de “autoproteção financeira”. Pode ser R$ 50, R$ 100, o que couber. Esperar sobrar para guardar quase nunca funciona. E, claro, revisar gastos faz diferença: assinaturas esquecidas, planos caros demais, compras por impulso e aquele delivery frequente que parece inofensivo, mas pesa no fim do mês.

Agora, vamos falar da realidade: para muita gente, só cortar gasto não resolve. A renda simplesmente não dá. É aí que entra a criatividade para complementar o orçamento. Pequenos empreendimentos e rendas extras salvam muitos trabalhadores. Vender comida caseira, fazer doces, bolos ou marmitas no fim de semana virou fonte de renda para muita gente. Aulas particulares, trabalhos como freelancer na internet, serviços de manutenção, costura, artesanato, fotografia — o que antes era hobby pode virar dinheiro.

Tem também quem use o tempo livre para fazer entregas por aplicativo ou prestar serviços sob demanda. Não é glamour, mas ajuda a equilibrar as contas. O ponto central é entender que, hoje, depender de uma única fonte de renda virou luxo para poucos. Diversificar não é só coisa de investidor, é estratégia de sobrevivência financeira.

No fim das contas, a pesquisa da Serasa Experian escancara algo que todo mundo já sente no bolso: viver no limite virou regra, não exceção. Mas também mostra que informação, organização e pequenas mudanças de hábito fazem diferença. Não é sobre ganhar rios de dinheiro do dia para a noite, é sobre parar de deixar o salário escorrer pelo ralo sem perceber.

Se o seu salário anda evaporando antes do mês acabar, talvez seja hora de trocar o susto no aplicativo do banco por um pouco mais de estratégia. Seu bolso agradece. Bons investimentos e cuide bem das suas finanças.