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Sabores que atravessam fronteiras

Ultimamente, tenho me encantado com a culinária paraense. Tudo começou com um restaurante peculiar aqui em Fortaleza: o Merendeiro. Eles mesmos se definem como um “anti-restaurante”: funcionam apenas três dias na semana, às vezes quatro, só sob reserva, poucas mesas, sem garçons e/ou taxas de serviço. Você levanta, busca seu prato e se senta. Cardápio com opções do dia, e se você puder escolher antes o que vai comer, já pode avisar.

Mas nada disso importa quando o que chega à mesa é uma comida tão honesta, tão cheia de identidade, que não sobra espaço para formalidades. Ali, o sabor fala mais alto.

Foi no Merendeiro que provei a maniçoba pela primeira vez. Um prato forte, profundo, de cozimento longo, que carrega a alma da cozinha paraense. Desde então, virou paixão: todas às vezes que eles anunciam maniçoba, eu corro para garantir meu lugar.

E o curioso é que, mesmo sendo do Maranhão, senti nesse prato uma ligação íntima com minhas raízes. O Maranhão está ali, no encontro do Nordeste com o Norte, e a culinária paraense conversa muito com a minha própria identidade: a fartura, a força dos ingredientes, a forma como a comida é feita para encher e sustentar, mas também para marcar presença cultural.

No fim, percebi que a mesa do Merendeiro não é só sobre o Pará. É também sobre pertencimento, sobre como a gastronomia nos atravessa e nos conecta, mesmo fora da nossa terra natal.

A cada colherada de maniçoba, sinto que bebo também da fonte da cultura brasileira — diversa, múltipla e cheia de histórias que se encontram no prato.