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“A maior decepção, o maior traidor da história”, diz Ciro Gomes sobre Camilo Santana

A fala foi feita durante o programa “O Brasil Desvendado”, transmitido nas redes sociais do pedetista ao lado de sua esposa, Giselle
Ciro Gomes durante primeiro Encontro do PDT, em Fortaleza. Foto: Beatriz Boblitz/Arquivo

Durante live semanal publicada nesta segunda-feira (6), o ex-governador Ciro Gomes (PDT) acusou o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), ex-aliado político, de ser a “maior decepção, o maior traidor da história”. A fala foi feita durante o programa “O Brasil Desvendado”, transmitido nas redes sociais do pedetista ao lado de sua esposa, Giselle, ao ser questionado por um seguidor sobre cursos de medicina no País. “Palavra de alento, meu irmão? O atual ministro da Educação, que é um cearense ilustre e que, pra mim, é a maior decepção, o maior traidor da história, enfim, mas isso é um assunto paroquial“, disse o ex-presidenciável.

Ciro criticou Camilo por, segundo ele, ter autorizado a abertura de 95 cursos privados de medicina, sendo 10 no Ceará. “Sabe quanto custa a mensalidade de um curso privado, sem nenhuma exigência de qualidade, mínima, 10, 12 mil reais por mês. Sabe quem vai pagar isso? O Tesouro Nacional. Esse é o socialismo do PT”, afirmou.

Em outubro, quando foram autorizados os novos cursos, o ministro defendeu a ampliação da área. “Há desigualdades e números muito desiguais referentes a percentual de médicos por mil habitantes. Se for pegar a Região Norte, é menos de 2, se pegar outras regiões é acima de três. O objetivo é ter um edital com muita clareza, com muita transparência, com critérios preestabelecidos”, afirmou o ministro, na ocasião.

Camilo Santana tenta articular junto ao senador Cid Gomes, irmão de Ciro, mas rompido, para que o PDT no Ceará permaneça como base do governador Elmano de Freitas (PT). Cid defende a aliança com o PT em âmbito municipal. Já a ala de Ciro, composta pelo ex-prefeito Roberto Cláudio, pelo prefeito de Fortaleza, José Sarto, e pelo deputado federal André Figueiredo – presidente nacional de forma interina -, prega o rompimento e o apoio à reeleição de Sarto.

CLIMA SEGUE TENSO

O clima em torno de Ciro vem pesando desde a última semana. Durante convenção do PSDB, Sarto, o vice-prefeito e presidente estadual do PSDB, Élcio Batista, e o histórico líder tucano Tasso Jereissati bateram forte na gestão de Elmano, em especial sobre a segurança pública. A fala de Ciro, no entanto, teve outro tom. “No Estado do Ceará, não se faz uma obra sem pagamento de propina”, disse. A fala vem repercutindo desde então. O deputado estadual Sargento Reginauro (UB) quer que o pedetista seja convidado a falar sobre a denúncia na Alece, com apoiadores no PL e na ala oposicionista do PDT.

“Uma figura de peso foi a público e disse que o Governo do Estado está corrompido. Que Ciro seja convidado a esta Casa para esclarecer e trazer provas sobre suas falas. Não é possível que todos os deputados não queiram isso, inclusive os que defendem o governador”, avaliou o parlamentar durante sessão plenária nesta terça (7). O senador Eduardo Girão (Novo), que também faz oposição ao Governo, acionou a PGR e o MPF para investigar as acusações.

Lideranças petistas, por sua vez, defendem que seja tomada uma medida judicial por parte da Procuradoria Geral do Estado (PGE). O Estado decidiu processar o ex-ministro pelas acusações.

Em sessão nesta terça (7), o deputado estadual Cláudio Pinho (PDT) defendeu o correligionário Ciro Gomes. Segundo ele, a disputa interna que vem movimentando o PDT resultou em uma “perseguição” ao ex-governador. “Existe todo um esforço em trazer para esta Casa, colocações contra Ciro Gomes na intenção de macular sua imagem, inclusive, chamando-o de traidor. Se ele tem processos, cabe à Justiça provar quem tem razão. Mas buscar desqualificar alguém com tamanho histórico é fazer uma política baixa”, repudiou.

“Essa Casa pode muito bem requerer uma Comissão Parlamentar de Inquérito [CPI] para investigar e pedir provas das afirmações de Ciro. O que queremos de verdade é que a paz reine para que possamos caminhar pela construção de um estado desenvolvido e digno”, declarou.

Em aparte, o deputado Antônio Henrique (PDT), outro aliado do ex-ministro, foi outro que saiu em defesa de Ciro: “alguém que sempre colocou o seu talento à disposição da população e sempre nos alertou para o errado”. O deputado Queiroz Filho (PDT), por sua vez, disse que faz parte da estratégia da base do Governo “bater no emissário, mas não discutir o assunto em questão”.

Audic Mota (MDB), da base governista, aconselhou os aliados de Ciro a trazerem as denúncias ditas pelo ex-ministro e citarem os nomes dos envolvidos. “Para ter uma CPI, precisamos de um fato determinado Se existem possíveis atos de corrupção e propina, vossa excelência sendo do partido dele, deveria citá-las na tribuna e apontar o nome de João ou José”, sugeriu.