O mundo dos negócios inclui a política. Não existe atividade empresarial sem diálogo com o poder público, seja no Sul, Sudeste ou Nordeste. Todo setor produtivo depende de financiamentos com juros baixos, infraestrutura e, principalmente, incentivos fiscais. Aliás, os incentivos do Estado atraíram milhares de negócios para o Ceará e impulsionaram a industrialização.
O protagonismo da indústria cearense é resultado de forte parceria com o Estado, que cumpre seu papel sem interferir na gestão das empresas, algo que diferencia o Ceará de outras unidades da federação.
O presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, conhece bem o setor que lidera e faz, como poucos, o meio de campo entre a indústria e o poder público. O Nordeste ainda precisa muito de incentivos financeiros para gerar empregos, ter uma indústria tecnologicamente competitiva e atrair investimentos nas energias renováveis.
Na gestão de Ricardo Cavalcante na Fiec, o setor tem atingido metas ousadas, com crescimento relevante. Parte desse resultado vem da parceria com os governos de Camilo Santana e Elmano de Freitas. Ricardo veste a camisa da Fiec e deixa de lado questões partidárias.
A aproximação de Elmano e Cid para a montagem da campanha eleitoral
Camilo Santana, Cid Gomes, Elmano de Freitas e aliados importantes sabem que a eleição de 2026 terá desafios. Entre eles, enfrentar a extrema direita, setores da própria direita e o grupo político ligado a Ciro Gomes, que ganhou novo fôlego com articulações no cenário nacional.
No entorno do Palácio da Abolição, foi estruturada uma rede de sustentação política para garantir estabilidade ao governo Elmano. Essa articulação reúne nomes como Romeu Aldigueri, Zezinho Albuquerque, Domingos Filho, Larissa Gaspar, Guilherme Sampaio e Léo Couto.
O papel de cada aliado tem dado resultados e garantido fôlego político ao governo. Nesse ambiente, Chagas Vieira atua com mais intensidade nas redes sociais, enfrentando narrativas e respondendo ao que o grupo governista considera fake news.
A chegada mais frequente de Camilo Santana ao Ceará deve fortalecer ainda mais o grupo. O ministro da Educação tem agenda intensa em Brasília e ao lado do presidente Lula, o que reduz sua presença política no Estado.
Sobral permanece como referência política no Ceará, assim como Juazeiro do Norte já foi no passado, na época dos coronéis. As duas regiões continuam influentes, mas ainda com representação limitada na Câmara Federal. A disputa de 2026 mostrará o peso político de cada uma.
O que querem Domingos e Gastão
O presidente estadual do PSD, Domingos Filho, tomou café com o presidente do PSD de Fortaleza, Luiz Gastão. O encontro serviu para discutir filiações e estratégias para as eleições proporcionais.
Um amigo comum resumiu a parceria: “São duas águias.” Uma com longa experiência política e outra renovando os voos.
O PSD quer espaço na chapa majoritária e trabalha para eleger quatro deputados federais e sete estaduais em 2026. Em 2024, o partido já havia indicado a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar, na chapa de Evandro Leitão.
Camilo e Guimarães se encontram e ministro exalta pré-candidatura
O ministro da Educação, Camilo Santana, esteve em Crateús, onde participou da entrega de um campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) com vários cursos, incluindo Odontologia. O evento reuniu mais de cinco mil pessoas.
Cerca de duas mil pessoas entoavam o nome do deputado José Guimarães. Camilo só falou sobre o tema após a solenidade, em entrevistas. “O Guimarães tem todo direito de pleitear qualquer cargo. Tem serviços prestados e trabalha muito pelo Ceará”, afirmou o ministro.
Camilo tem sido habilidoso no debate sobre as candidaturas majoritárias ao Senado Federal, onde mais de vinte nomes já manifestam interesse nas duas vagas que estarão em disputa.
A busca por um partido para se eleger marcará a janela partidária
As movimentações partidárias dos próximos meses terão pouco de ideologia. A lógica dominante será a sobrevivência política.
No PSDB, por exemplo, foi criado até um teto de votos para candidatos a deputado estadual. No União Brasil, a tendência é restringir novas filiações para a disputa de deputado federal.
No PSOL, a estratégia passa por concentrar forças na eleição de Luizianne Lins para deputada federal.
Já o PL pretende manter a atual bancada federal e estadual, abrindo espaço para novas lideranças alinhadas ao bolsonarismo.
Romeu Aldigueri: o federal de Itapipoca
A Caravana de Betânia, em Itapipoca, contou com a presença do presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri, que confirmou a intenção de disputar mandato de deputado federal com apoio do grupo político local.
Romeu mantém parceria com lideranças de Itapipoca desde sua primeira eleição para deputado estadual, em 2018, e reforçou essa relação na reeleição de 2022.
Cid e Júnior Mano devem conversar com Camilo
A reunião política mais aguardada da semana deve ocorrer em Brasília. O encontro reunirá Cid Gomes, Camilo Santana e o deputado Júnior Mano.
Camilo já recebeu em conversas recentes lideranças como Chiquinho Feitosa, Domingos Filho, Eunício Oliveira, Zezinho Albuquerque, AJ Albuquerque, Moses Rodrigues, Jade Romero, Larissa Gaspar, Lia Gomes e José Guimarães.
Nada está definido. Cid Gomes afirmou que a palavra final sobre a estratégia eleitoral será do governador Elmano de Freitas e que o tema só deve ser tratado de forma definitiva em junho, antes das convenções partidárias.
