Estava eu despertado como o maldito necessário, e ao olhar para a tela do dito cujo, vejo estampada a notícia: “Volta de Jesus? Vaticano nega que Cristo apareceu mais de 40 vezes em uma colina na França. E ele apareceu? Acho que não deveria aparecer e nem voltar mais, pois correria grande risco de vida”. Eu não sabia que na Normandia, Jesus teria aparecido para uma mulher e nem tão pouco que teria feito o pedido para a construção de uma cruz. Robert Francis Prevost, o papa Leão XIV parece não ter gostado muito e, segundo a matéria, disse: “que os relatos não devem ser considerados genuínos” e alertou aos fiéis que Jesus é o único Salvador e impôs limites à veneração de Maria. E os devotos de Maria nesse mundo de meu Deus, o que vão fazer? O Vaticano endossou o Sumo Pontífice ao afirmar: “Jesus pode responder às orações, mas não fez/faz aparições especiais”. E, por falar em aparições e sinais, parece que há controvérsias. Conta-se, segundo a tradição, que durante uma batalha o imperador romano Constantino teria visto no céu o símbolo cristão, a cruz, acompanhada pela frase “Com este sinal vencerás”. Constantino venceu a batalha e o cristianismo acabou tornando-se a religião oficial do Império Romano e a história Ocidental mudou. A camponesa francesa, Joana D’Arc dizia ter tido visões e ouvido vozes que ela atribuiu a São Miguel Arcanjo, Santa Catarina, e para alguns, a Jesus. A convicção de Joana de tais visões, sob o seu comando, o exército francês teve vitórias importantes e reagiu contra os invasores ingleses na Guerra dos Cem Anos. Mesmo o Islamismo nasce, de certa forma, de revelações judaico-cristãs. Na tradição muçulmana, aos 40 anos, Maomé passou a ter visões do arcanjo Gabriel e, a partir de então, receber as revelações de Deus. Com a ascensão do Islamismo, o cristianismo passou a perder a sua unicidade religiosa e influência política. De fato, a igreja reconheceu aparições como “a aparição de Maria no México como Nossa Senhora de Guadalupe em 1531 e as aparições de Jesus à irmã polonesa Faustina Kowalska na década de 1930”. Em nossa cidade, hoje, dia 13, muitos fiéis celebram nossa Senhora na Igreja de Fátima, pois acreditam que figuras religiosas como Jesus e Maria podem fazer aparições sobrenaturais para oferecer mensagens religiosas. E agora, os devotos de “santos populares” como o Pe. Cicero, o que fazer? Estranho que só agora a igreja adverte contra o uso de supostos fenômenos para ganhos monetários. E por falar em ganhos monetários, não seria melhor a humanidade seguir os princípios originários da filosofia grega do estoicismo, que prega uma perspectiva coletiva e de fraternidade humana: da prática da virtude, do autodomínio e aceitação da ordem natural das coisas, a harmonia com a natureza, do caminho para a serenidade e da resiliência. Muitos filósofos e estudiosos contemporâneos criticam a utilização do estoicismo tão difundido pelas mídias sociais e pelos coachs ao pregarem a excessividade racionalista, a supressão das emoções e a produtividade ao incentivar a alta performance como se fosse um manual rápido para conseguir sucesso profissional.
Religião: racionalidade e estoicismo
