Quanto de estrada eu ainda tenho para andar? Sei que, se eu for como a média das pessoas, metade da jornada já se foi.
Aniversário é assim. A gente fica meio reflexivo e fazendo um balanço do que já viveu e o que não quer que se repita.
Entre as resoluções que peguei para cumprir, está não deixar mais de comemorar a passagem dos anos. Nem meus, nem dos meus filhos. Então, já agendei duas festas, uma com o pessoal do trabalho e as amizades e a outra, com a família, no mês que vem. Viver tem sido dádiva e eu quero gastar a vida.
No entanto, nem sempre foi assim. Eu vivi uma longa estiagem de comemorações, embora meu coração sempre ansiasse pelo festejo. Eu sempre gostei dessa alegria dos abraços de parabéns, dos presentes, do bolo.
Por isso, guardo como num relicário imaginário cada uma dessas comemorações. Os canapés e brigadeiros que meu pai mesmo fazia. O bolo cremoso de coco que minha mãe mandava pra escola quando eu era criança. O bolo com refrigerante que minha tia Terezinha trouxe de surpresa quando eu fiz dez anos. Os meus amigos que celebraram de forma tão linda os 15, os 18 e os 38. E as festas tão bem celebradas de 39 e 40 anos. Me senti amada, celebrada e especial.
Esse ano ainda coincidiu de o dia 21 cair numa segunda-feira de feriado municipal. Com isso, vim aproveitar o feriado com meu pai e celebrei rindo e tomando banho no paraíso, que é Jijoca de Jericoacoara.
Temos ainda uma noite de chuva de meteoros que, pelo cansaço, eu talvez não consiga acompanhar. Outro presente inédito foi viajar na primeira cadeira de um ônibus de dois andares, com vista panorâmica para a estrada, de onde eu escrevo essa crônica de gratidão.
Quero continuar bebendo a vida com olhos de criança afoita, me admirando com flor miúda e cantar de passarinho. A gratidão que tenho faz com que eu perceba que, passado mais um ano, recebi infinitamente mais do que pedi. Deus ama com um amor detalhista e me deu olhos para enxergar suas minúcias.
Viver é bom. E eu quero mais. Estou pronta para outro ano. Que venha esse novo ciclo.
