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Racismo no futebol: vergonha para o esporte do rei Pelé

Em 1997, eu fui ao velho continente ver de perto o que havia estudado e apreendido nos livros de história. Em Madri, entre um e outro táxi, curioso, perguntei a um motorista mais idoso sobre se ainda havia adeptos do franquismo por ali. “Sim, o grande generalíssimo Franco”, disse-me de forma eufórica e apaixonada. De fato, a extrema-direita e os fascistas espanhóis não pregavam o racismo. No entanto, naquele ano, não esqueço do racismo sofrido pelo jogador brasileiro Roberto Carlos quando defendia o Real Madrid. 26 anos depois é a vez do nosso jovem craque Vinícius Júnior – de jogo alegre e sorriso estampado, sofrer as agressões racistas na mesma Espanha.

Após os ataques racistas, chamado de macaco pelos torcedores fora e dentro do estádio do Valência, Vini Jr assim questionou nas mídias: “O que mudou até os dias atuais no futebol espanhol, já que o lateral-esquerdo Roberto Carlos sofreu racismo em 1997, antes mesmo de eu ter nascido”. No exterior e no Brasil, o preconceito e o racismo no futebol só crescem. Recentes pesquisas comprovam o crescimento tanto da homofobia quanto do racismo.

O observatório de discriminação racial no futebol revela “que em 2021 registrou 64 situações de racismo e 90 em 2022 com um aumento de 40%”. Em 2011, torcedores russos atiraram banana em campo e o jogador Roberto Carlos abandonou o jogo. Em 2014, na Espanha de novo, torcedores racistas arremessaram uma banana no gramado, e Daniel Alves num ato de desprezo, a comeu antes de cobrar o escanteio.

O caso do jogador Tinga no Peru e tantos outros, que sofrem com gestos e/ou chamados de macacos por torcedores, é inaceitável. No Brasil, racismo no futebol de torcedores com jogadores é incompreensível. Em 2014 quando vi aquelas cenas de racismo sofrida por Aranha, então goleiro do Santos contra o Grêmio na Arena Porto Alegre, pensei: alguma coisa deu errado.

O preconceito, o racismo, a pressão do movimento negro contemporâneo e a preocupação do ensino de história nos ambientes escolares levaram a aprovação em 2003 da lei 10.639/03 que instituiu a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura afro-brasileira e africana e da promoção de uma educação das relações étnico raciais na Educação Básica, e em 2008 a aprovação da Lei Ordinária n. 11.645/08 incluindo a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura afro-brasileira, africana e indígena no currículo escolar.

O que a educação escolar e não escolar, têm ensinado a respeito aos jovens?! O garoto, Vini Jr. de 22 anos, merece todo respeito pela sua reação de denúncia e atitude corajosa diante daquela multidão de racistas. O que o rei Pelé diria disso tudo?