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Quem trabalha com comida nunca para de estudar

Existe uma ideia muito comum de que cozinhar é apenas repetir receitas. Que basta aprender alguns pratos, dominar...
Foto: reprodução

Existe uma ideia muito comum de que cozinhar é apenas repetir receitas. Que basta aprender alguns pratos, dominar algumas técnicas e pronto: o trabalho está feito. Porém, quem vive de gastronomia sabe que a realidade é exatamente o oposto. Trabalhar com comida é viver em constante aprendizado. É estudar sabores, entender ingredientes, testar combinações, provar, errar, ajustar e começar de novo. 

É perceber que o paladar também se educa, se desenvolve e se transforma ao longo do tempo. Na minha rotina, estudar não acontece apenas nos livros — embora eles sejam grandes aliados. O estudo acontece quando provo um tempero que ainda não conheço, quando observo o trabalho de outro cozinheiro, quando experimento um ingrediente de uma forma diferente ou quando volto para a cozinha para testar algo que ainda está apenas no papel. 

Cada prato novo é um exercício. Cada combinação é uma hipótese. Cada experiência é repertório. E esse repertório não se constrói da noite para o dia. Ele se forma com curiosidade, com disciplina e com a humildade de entender que sempre existe algo novo para aprender. 

Quem trabalha com gastronomia precisa provar, comparar, observar, estudar. Precisa viajar quando pode, pesquisar quando não pode, conversar com quem sabe mais, e principalmente manter o olhar atento para aquilo que ainda não conhece. Porque cozinhar bem não é apenas executar. É compreender.

No fim das contas, a cozinha é uma escola permanente e talvez seja justamente isso que a torna tão fascinante. Quanto mais aprendemos, mais percebemos o quanto ainda existe para descobrir e, talvez seja por isso, que quem ama a gastronomia nunca se acomoda. A gente segue estudando prato após prato.