Morar no Ceará é ter o privilégio de viver entre dois mundos: o da rotina, que corre firme na capital, e o dos refúgios que brotam a menos de uma hora da gente. É um estado tão diverso que, em poucos quilômetros, a paisagem muda completamente — do litoral leste com suas falésias vermelhas ao litoral oeste, que entrega natureza bruta, praias quase intocadas e aquele vento que parece arrumar tudo por dentro. E, se você cansou de mar, ainda tem serra. Serra fria mesmo, de treze graus, de casaco, de fogueira e de comida quentinha.
Mas hoje eu quero falar dos nossos pequenos respiros. Esses que cabem em um sábado ou em um domingo. Às vezes, até em um único turno do dia.
Na semana passada, aproveitei o feriado e dei um pulo em Morro Branco, que para mim já virou quase um abraço pronto: um refúgio pessoal, íntimo. As falésias – que parecem pinturas feitas à mão – continuam lá, firmes. As bicas de água doce continuam recebendo a gente com aquela paz. E a lagoa… ah, a lagoa! Aquele pedaço de água doce, com redinhas dentro, onde o tempo desacelera.
E é nisso que eu quero chegar: no encontro simples entre o que o Ceará oferece e o que a gente precisa.
Porque ali, no meio da areia, tinha alguém fazendo caipirinha com fruta fresca — seriguela, caju, cajá-umbu — o que está na estação, o que a terra dá. Ao lado, espetinhos de camarão no sal, só isso, só o suficiente, servidos com uma banda de limão. Uma gastronomia que não precisa se explicar. Que é feita do que a gente tem, do que é nosso. Comida boa, sem pretensão, mas cheia de verdade.
E o mais bonito é que isso tudo não exige uma viagem planejada meses antes, nem investimentos gigantes, nem grandes elaborações. O Ceará entrega escapes possíveis. Cabem na agenda e cabem no bolso. São experiências que podem acontecer em 24 horas, às vezes em 40 minutos de estrada.
Com a chegada de mais turistas, nossos hotéis estão cada vez mais preparados, a gastronomia mais diversa e os serviços, mais especializados. É bonito de ver — mas é ainda mais bonito perceber que esse estado continua sendo nosso, acessível para quem vive aqui.
A gente só precisa olhar para ele com o mesmo encantamento que o turista tem.
Esse é o convite da semana: valorizar o que já é nosso. Beber dessa fonte tão pertinho. Permitir que o mar, a serra, o vento e a comida simples do litoral atravessem o nosso cotidiano — mesmo sem ser férias.
Porque, se tem algo que o Ceará sabe fazer bem, é nos lembrar de que respirar fundo, às vezes, é só virar a chave do carro e dirigir uma hora.
