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Os erros de nossos filhos e como perdoá-los

Porque são seres humanos, as crianças cometem erros. Esses erros se separam em dois grandes grupos. No primeiro...

Porque são seres humanos, as crianças cometem erros. Esses erros se separam em dois grandes grupos.

No primeiro grupo estão as crianças livres. Nesse caso, os pais permitem que elas explorem a casa e o mundo, resguardam a segurança e incentivam a independência. Essas aprendem a se vestir sozinhas, a se servir de água ou comida e a dobrar suas próprias roupas. Os erros dessas crianças serão muito frequentes, vários por dia, mas serão de menor gravidade, porque elas terão alguma competência prática no mundo.

O outro grupo é o das crianças oprimidas. Os pais fazem tudo por elas e não permitem que elas façam nada no mundo real. Podem brincar com seus brinquedos, talvez usar um tablet, e mais nada. Como essas crianças fazem menos coisas, elas erram menos, mas seus erros são mais graves, porque elas não têm quase nenhuma competência prática na vida.

Para além desses dois tipos de erros, existe um terceiro, especialmente comum entre as crianças oprimidas, que é o erro cometido por insegurança emocional. Nesse grupo estão as mentiras que as crianças contam para não desagradar seus adultos, a possessividade e o desejo de constantes presentes, que escondem um vazio de outra natureza, e também os movimentos excessivos e desastrados da criança, que quase nunca pode usar seu corpo de forma produtiva.

Até aqui, entendemos que o tipo de erro que as crianças cometem, bem como a frequência com que eles são cometidos, são ambos consequências das escolhas dos adultos. Adultos opressores tendem a lidar com menos erros, porém graves, e uma diversidade de más ações que são fruto de insegurança. Adultos respeitosos tendem a lidar com mais erros, bem menos graves, como roupas do avesso, e água derramada no chão.

Nenhum adulto escapa, porém, de ter que lidar com os erros das crianças. E, a partir daí, podemos pensar sobre como perdoar esses erros.

Quando o erro da criança nos incomoda muito, parte do incômodo vem do desejo de que o erro não tivesse acontecido. Se ao menos a criança não tivesse derrubado suco na toalha da mesa… Se ao menos não tivesse molhado o uniforme da escola quando foi escovar os dentes…

Mas ela derrubou o suco e molhou o uniforme. Assim, nós ficamos presos em um conflito causado por nós mesmos. Temos que lidar com as consequências do erro enquanto desejamos que ele desapareça.

Pema Chödrön, uma monja estadunidense de uma linhagem do budismo tibetano, afirma que “perdoar é abandonar todo o desejo de que o passado possa ser diferente”.

Quando conseguimos agir como a monja recomenda e aceitar que o passado é o que é, soltamos um lado do nosso conflito interno, precisamos lidar com as consequências do erro da criança, mas pelo menos aceitamos que ele ocorreu.

A partir daí, se aceitamos o erro, nossa luta não é mais com o passado. Estamos de volta ao presente e podemos nos perguntar: Qual a melhor linha de ação agora? O que vai ajudar essa criança a saber o que fazer no futuro? Como posso oferecer à criança um caminho para reparar o erro?

Se abandonamos o apego ao passado, não precisamos castigar a criança. O erro já aconteceu, e nada vai fazer com que ele desaconteça. Mas se escolhermos bem, podemos usar todas as situações para tornar a criança mais e mais competente, tranquila e segura. Assim, pelo menos, ela saberá lidar com seus erros cada vez melhor.