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Os civis palestinos continuam desprotegidos, enquanto os partidos faccionados daqui se blindam 

Não sei vocês, mas ao ler os noticiários e observar as imagens desses últimos dias, lembrei-me das invasões nazistas na Europa e das cenas de civis judeus desarmados sendo conduzidos como bois ao matadouro. O que causa estranhamento é que, desta vez, as invasões, a destruição e o genocídio são praticados por judeus. Após devastar parte de Jerusalém Oriental, habitada por palestinos, o exército israelense atacou mais de 150 alvos e praticamente arrasou a Faixa de Gaza. Em seguida, anunciou a abertura de um novo corredor para acelerar a fuga dos moradores — leia-se: refugiados —, tangidos para o sul como se fossem animais sem rumo, enquanto o mundo permanece inerte. Na realidade, não há uma guerra entre Israel e o Hamas, como a grande mídia anuncia. Israel dispõe de um exército moderno, altamente treinado e com poder bélico devastador, que ataca civis desarmados. Como afirmou, com precisão, o presidente Lula: “O que Israel faz é um genocídio”. O mundo permanece inerte porque não há interesse econômico envolvido, afinal, Gaza é tratada como uma favela à beira do Mediterrâneo. O empresário Trump deu uma solução esdrúxula: “retirar aquele povo pobre e construir um grande resort”, e claro, para os ricos. Já na guerra da Ucrânia, os exércitos russo e ucraniano apresentam certa equiparação bélica, uma vez que a Ucrânia recebe armamentos e tecnologias avançadas de seus ‘aliados europeus’, interessados nas vastas riquezas do país, como seus recursos minerais. Em nossa fronteira, já se anuncia o ensaio de uma nova atrocidade e possível genocídio. Desta vez, os Estados Unidos pretendem, de uma vez por todas, apropriar-se do petróleo venezuelano. Com a imposição ilegal do chamado tarifaço pelos norte-americanos, o Brasil, aos trancos e barrancos, busca manter a economia estabilizada, bem como a soberania política e jurídica, enquanto ainda precisa enfrentar os inimigos internos: partidos faccionados que já constituem maioria no Congresso Nacional. A chamada bancada da bala, da Bíblia e do boi, em sua maioria financiada por interesses paralelos, busca utilizar o cargo político como escudo para agir livremente e evitar punições. Ao aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a Câmara dos Deputados ampliou a proteção judicial para deputados e senadores. Trata-se da chamada PEC da Blindagem, como ficou conhecida. Em outras palavras, a PEC dificulta o andamento de processos contra deputados e senadores ao ampliar o controle político sobre a autorização prévia necessária para a abertura de ações criminais. Além disso, estabelece que, em casos de crimes inafiançáveis — como tráfico de drogas, racismo, tortura e terrorismo, por exemplo —, os autos devem ser encaminhados à Câmara ou ao Senado. O mais grave: a decisão sobre a manutenção ou não da prisão caberá aos próprios parlamentares, por meio de votação secreta, embora a legislação determine, de forma explícita, que esse tipo de deliberação deve ocorrer por votação nominal. Seria esse o motivo pelo qual desejam extinguir o STF? Vida longa à Pátria Amada, ainda que incerto seja o até quando.