Vez por outra, dou um pulo na AGAP (Associação de Garantia do Atleta Profissional). Sento com o presidente Celso, os vices Cícero e Amilton Rocha, e quem estiver presente. E tome resenha e recordações! Conversa vai, conversa vem, e, de repente, a frase: “Tem jogador que só quer aparecer”.
Saí pensando nessa frase. Na previsão de Andy Warhol, cinquenta anos atrás, de que no futuro todo mundo teria direito a 15 minutos de fama, lembro também que pensei na simplicidade de um Garrincha, Pelé e Nilton Santos, que encantaram o mundo e eram narcisos às avessas.
Hoje em dia, é diferente. Qualquer jogador profissional tem um empresário que cuida dos seus interesses, dos seus negócios e do marketing pessoal. E tome maquiagens, botox, cortes de cabelo variados, brincos, piercings, colares, harmonização facial e outros penduricalhos.
As tatuagens se espalham pelos corpos. Algumas pelos braços e outras são vistas só quando o jogador faz um gol e tira a camisa para comemorar. Aí aparecem desenhos religiosos, dragões, corações com o nome da namorada, da mulher, do filho ou seja lá o que quiser.
A impressão que se tem é que esses símbolos criam uma atmosfera positiva, com cada um se expressando como quer. Por outro lado, quando descem do ônibus nos estádios, as televisões nos mostram a falta de sintonia: cabeça baixa, celular na mão e fones nos ouvidos. Cada um na sua estação.
Todo jogador tem sua chuteira colorida. No tempo em que as chuteiras eram escuras — o preto não reflete a luz —, combinava com as cores do uniforme. Tem jogador com dificuldade no trato com a bola. O efeito visual, resultado de uma trapalhada feita por alguém com os pés coloridos, é patético.
Os goleiros antigamente se vestiam de preto ou cinza. Havia, além da regra, uma crença geral de que, assim vestidos, os goleiros ficavam mais discretos e não ofereciam uma referência colorida para os atacantes quando chutavam à meta do goleiro adversário. Hoje, os goleiros são coloridos.
Os árbitros também se vestiam de preto ou cinza. Inclusive, se dizia que o bom árbitro era aquele cuja participação, ao final da partida, não havia sido notada. A turma das antigas tem dificuldade de entender o futebol como negócio. Jogamos na fase romântica do futebol brasileiro.
