Carlo Ancelotti é o técnico de futebol mais bem pago do mundo. O contrato, segundo a mídia esportiva, prevê R$ 4 milhões por mês, um bônus de 5 milhões de euros caso vença a Copa do Mundo, um jato à sua disposição para ir à Europa quando quiser e o aluguel de uma mansão no Rio de Janeiro.
Foi a saída encontrada pela CBF para ver se o torcedor brasileiro volta a se encantar com a seleção. A julgar pelas alegres recepções e pelos movimentos do técnico — visitando as instalações do Maracanã e da Granja Comary, dando entrevistas para a imprensa —, parece que a confederação acertou na mosca.
Quando o avião pousou no Galeão, domingo retrasado, e a imagem de Ancelotti apareceu na televisão, percebeu-se logo que, além dos títulos, o técnico veio preparado para conquistar também o torcedor brasileiro. O andar balanceado e um boné amarelo na cabeça deixavam transparecer a alma do “boleiro”.
Virou notícia a semana inteira e, nessa tarefa de reaproximar o torcedor da seleção brasileira, se esmerou em elogios, repetindo diversas vezes que o futebol brasileiro era o melhor do mundo e que a seleção voltaria a jogar no Maracanã, uma lenda para os europeus.
Ancelotti foi jogador de meio-campo, e a maioria deles pensa em ser técnico quando para de jogar. Aconteceu comigo. Além de ser meia-armador — posição que exigia leitura de jogo —, estudava Educação Física na UFRJ e havia me transferido para a Unifor, em Fortaleza.
Comecei como técnico no juvenil do Ceará e, curiosamente, seis daqueles jovens atletas, com o passar do tempo, viraram técnicos de futebol: Flávio Araújo, Marcelo Vilar, Felinto, Josué, Alves e Mozart Neto. À exceção de Felinto, que era centroavante, os outros jogavam de ala ou no meio-campo.
Embora o futebol moderno venha se apoiando numa evolução constante das condições de saúde e dos métodos de preparação física — que dão aos jogadores a condição física de um Papaléguas, permitindo executar diversas funções —, a presença de jogadores cerebrais no meio-campo é vital.
O próprio Ancelotti penou no Real Madrid nesta última temporada, quando perdeu o Campeonato Espanhol, a Copa do Rei e a Champions League. A ausência de Luka Modric e Toni Kroos foi decisiva e prejudicou a criatividade. Ancelotti botava a mão na cabeça e não tinha solução.
Estou curioso para saber como será resolvido o meio-campo brasileiro. Temos bons goleiros, zagueiros e alas muito bons, além de atacantes fora de série. Nossa maior dificuldade é no meio-campo. Olho em volta e não encontro um. Tarefa para Carlo Ancelotti, que é bastante intuitivo.
