Com janeiro dando adeus às férias, eu já escolhi o meu próximo destino!
Viajar é, quase sempre, um gesto de desejo. Mas nem todo desejo nasce do mesmo lugar.
Tem quem viaje movido pela arte, pelos museus, pela arquitetura. Outros seguem o impulso das compras, das vitrines, das tendências. Há quem viaje em busca de descanso absoluto, e quem queira apenas mudar de paisagem.
E eu tenho pensado muito sobre isso: o que nos move quando escolhemos um destino?
No meu caso, a resposta é quase imediata. Eu viajo para comer. Ou melhor: eu viajo para viver experiências através da comida.
Antes mesmo de comprar a passagem, já estou imaginando sabores, ingredientes, mercados, restaurantes pequenos, mesas disputadas, pratos típicos. Meu roteiro nasce do paladar. A cidade vai se desenhando a partir dele. Se, no meio do caminho, eu visitar um museu ou uma obra de arte, ótimo, mas quase sempre foi a comida que me levou até ali.
Não viajo com listas de compras, nem com pressa de acumular coisas. O que me interessa é repertório. É sentar à mesa de um lugar novo, entender seus temperos, perceber como aquela cultura se expressa no prato. Comer é uma forma muito honesta de conhecer um povo.
A gastronomia me oferece algo que nenhuma lembrança material consegue: memória sensorial. Um sabor atravessa o tempo. Um prato bem vivido volta com a gente, reaparece em casa, influencia escolhas, inspira criações. Ele se transforma em bagagem emocional.
Viajar, para mim, é expandir o paladar e, junto com ele, o olhar, meu ponto de vista sobre o mundo. É voltar diferente, ainda que de forma sutil. Mais atenta, mais curiosa, mais aberta.
E talvez seja isso que eu mais goste nesse pensamento: entender que não existe jeito certo de viajar. Existe o que faz sentido para cada um. O que desperta. O que move.
E você, o que te move?
