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O PT e a lavagem de roupa suja

O resultado ficou abaixo do que se poderia esperar da sigla do presidente da República

Na cena nacional, duas alas do Partido dos Trabalhadores se engalfinham para uma tatuar na testa da outra a culpa pelo desempenho eleitoral de 2024. O resultado ficou abaixo do que se poderia esperar da sigla do presidente da República. De um lado, o grupo do ministro Alexandre Padilha; do outro, o da deputada e presidenta Gleisi Hoffmann. Isso é politicamente delicado, a começar pelo fato de que se está substituindo a autocrítica pela troca de acusações. Depois, por escancarar a fissura que sempre divide partidos após eleições, o PT conseguiu eleger 183 prefeitos em todo o País neste ano, número bem inferior às 265 prefeituras que detém atualmente. Se há consolo na desgraça alheia, os petistas podem olhar para a situação do PL no Ceará. Aqui, a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro não elegeu um só prefeito – em 2020, conseguiu 13 (!) vitórias. A propósito, o PT do Ceará fará alguma análise sobre estratégias, condutas e omissões? Vai chamar a deputada Luizianne Lins para explicar algo?

No paredão

Quem também ficou em situação complicada foi o presidente estadual do PL, o deputado Carmelo Neto. Sob as ordens dele, o partido de Jair Bolsonaro não conseguiu eleger nem um prefeito no Ceará. Carmelo será cobrado pelo comando nacional para prestar contas do fiasco?

Que coisa bela!

A favor de Carmelo, se isso lhe é mesmo favorável, o presidente do PL conseguiu que a esposa fosse eleita vereadora em Fortaleza. Bella Carmelo faturou 28.138 votos, o que somou 2,03% dos eleitores. A bela Bella arrecadou R$ 677.564,00 de doações financeiras, sendo R$ 642 mil só do PL nacional, significando R$ 24,08 por voto.

Horror

A dinheirama que Carmelo Neto derramou na candidatura da “conja” só chama tanta atenção quanto a marmota que ficou a cabeleira dele, agora descolorida no juvenil estilo “branco neve”.

Saída pela direita

O encangotamento do PL no Ceará pode ser considerado indicativo da doença da divisão que a extrema-direita pode sofrer em 2026. Repare em fala do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB): “Que essas pessoas (…) que seguem o Bolsonaro, entendam que a vida política exige diálogo, que ninguém é dono da verdade”.

Recado dado

Reconhecida como peça vital da campanha de Evandro Leitão a prefeito de Fortaleza, a vice-governadora Jade Romero – esposa do CEO do glorioso Fortaleza Esporte Clube, Marcelo Paz – escreveu nas redes sociais, com clareza inquestionável, o que todo candidato e apoiador tem obrigação de saber – e que muitos não sabem. Jade é uma militante-modelo para qualquer campanha.

No pódio

O troféu de militante-modelo também cabe à deputada estadual Larissa Gaspar (PT). Com um repertório de vídeos ora bem-humorados, ora sérios, Larissa assumiu nas redes sociais a posição da mulher-guerreira-valente do PT que um dia foi de Luizianne Lins.

Tudo tem seu tempo

“Tem uma coisa em que o futebol e a política se parecem muito: nunca cante vitória antes do tempo. Jogo e eleição só terminam quando acabam. Fé em Deus, humildade e muita gratidão aos que caminharam conosco. Tô feliz por ter ajudado a livrar nossa cidade do retrocesso bolsonarista”.

Terra plana

Essa é para fazer se remexer no túmulo o antivacina Olavo de Carvalho, coach do bolsonarismo: o Brasil quer o apoio do G20 para criar coalização para produção regional de vacinas. “Isso é coisa de globalista, de comunista, de gayzista!”, diria o finado mentor de Jair Bolsonaro.