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O Pé-de-Meia eleitoral de Lula

Assim como o Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida, o programa “Pé-de-Meia”, lançado pelo presidente Lula na semana passada, soma todos os elementos para ser canonizado pelos governistas e atacado ferozmente pela oposição. A ação se volta para alunos de baixa renda que cursam o ensino médio. O programa cria uma poupança de R$ 2 mil para cada ano letivo, estimulando os estudantes a permanecerem nas escolas e a que possam, ainda, ajudar as famílias. Não há quem diga que a ideia é ruim, assim como não há quem se arrisque a dizer que não terá reflexos eleitorais.

Vai pesar nos votos, sim, e em ano eleitoral é algo que se pode definir como trunfo. Além dos depósitos de R$ 2 mil em cada um dos três anos do ensino médio, o aluno receberá, ao encerrar a última série, R$ 3 mil na poupança, equivalendo a bônus de R$ 1 mil por série, e mais R$ 200 se se matricular no Enem. No fim, o apoio totaliza R$ 9,2 mil. O governo tem até preparado o antídoto contra críticas: é mais barato do que amargar o destino de jovens que, sem oportunidade de crescimento profissional e social, acabam na cadeia. É, de fato, muito difícil para quem se nutre de olavismos como “ideologia de gênero” e persegue crianças e adolescentes transgêneros ter argumentos para concorrer com propostas como essa.

UMA COISA LEVA A OUTRAS

A apreensão de documentos e arquivos eletrônicos em endereços do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive de um computador da Agência Brasileira de Inteligência, pode ser o fio da meada que esclarece quem está por trás da “Abin paralela”. Pode ser, também, um holofote sobre o “gabinete do ódio” que servia ao Planalto de 2019 a 2022. Há quem aposte que até o caso Marielle possa ser investigado sob luz mais intensa.

LAÇOS DE FAMÍLIA

A propósito, um computador da Abin de posse de um vereador é tão surreal quanto joias do patrimônio público apatoladas por um ex-presidente da República.

E O LULA, HEIN? E O PT?

Do perfil satírico “Coronel Siqueira” (@direitasiqueira): “Esse Carlos Bolsonaro que tá correndo risco de ser preso aí é aquele filho do Lula???”

DRA.SILVANA, A FEMINISTA

A deputada Silvana Oliveira (PL), pastora pentecostal e médica, anti-feminista e bolsonarista roxa, tem diante de si um paradoxo daqueles. Ela é capaz de dizer coisas assim: “O movimento feminista é um embuste que por trás busca destruir o que temos de mais precioso nessa sociedade – a família cristã”. E mais: “Essa mulher que está falando aqui defende a hierarquia como propósito divino para uma família (…). Mulheres sejam sujeitas aos vossos maridos!” No entanto, a “sujeita ao marido” apela para a retórica feminista para tentar se safar da Justiça.

SEM CONSTRANGIMENTO

Às vésperas de ser cassada por fraude do partido dela nas cotas para mulheres, Dra. Silvana saiu-se com essa: “Como pode (a Justiça Eleitoral) cassar pessoas inocentes? (Tirar) Duas mulheres para colocar dois homens?” Creia: na hora do acocho, a anti-feminista convicta, que diz ser comandada pelo marido, o deputado federal Jaziel Pereira, se vitimiza e não se envergonha de recorrer ao feminismo que tanto demoniza. Será que, se o nó apertar mais, ela vai se socorrer na “ideologia de gênero”, ficção reacionária usada para aterrorizar ingênuos?

JÁ É UMA CHAPA?

Chama atenção a presença da senadora Augusta Brito (PT, ex-PCdoB) em eventos dos quais participam o governador Elmano de Freitas e o presidente da Assembleia, deputado Evandro Leitão, ambos correligionários. Há, entre observadores da política local, quem considere que uma chapa à Prefeitura de Fortaleza está formada – e, como se nota, com um só partido. Também há quem avalie que a formação Evandro-Augusta tem as bênçãos do ministro Camilo Santana.

E O CID?

Uma composição “puro-sangue” do PT à sucessão de José Sarto (PDT) pode indicar que diminuiu a influência política do senador Cid Gomes (recém-saído do PDT e a caminho do PSB, com filiação marcada para o próximo dia 4). Mas também pode ser a sinalização de que o irmão de Ciro Gomes está se afastando do centro do ringue para recuperar forças. O PSB é dirigido pelo pai de Camilo Santana, o ex-deputado Eudoro Santana.