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O futebol e a dialética

O Ceará vem caindo de produção. As derrotas para o Vitória e o Botafogo e o empate contra o Sport pesaram na balança, e o clube passou de 10º para 13º lugar na classificação do campeonato nacional. Esses resultados e a posição na tabela acenderam uma luz amarela, deixando os alvinegros com a orelha em pé.

Preocupado com os rumos que a equipe vem tomando, meu amigo Paulo Alexandre, alvinegro de carteirinha, me enviou um texto analisando o momento do Ceará. Segundo ele, o técnico Léo Condé montou um elenco a partir de uma ideia central: defender, contra-atacar com velocidade e dominar o espaço.

Esses três conceitos funcionaram como uma bússola e definiram os perfis dos jogadores a serem contratados, o tipo de treino, as rotinas de posicionamento e a estrutura mental da equipe. Os resultados eram conhecidos: uma defesa sólida, marcação eficiente e eficácia nos contra-ataques.

Graças a essa forma de jogar, mas insatisfeitos com a tática usada — própria de um time inferior — conselheiros e diretores, movidos por pressões externas, passaram a exigir um futebol ofensivo, de posse de bola e dominação territorial. Essa interferência desrespeitava a coerência do projeto técnico.

Um time montado para reagir não se transforma de um dia para o outro. Seu jogo é reativo. Contra o Botafogo, colocaram jogadores de meio de campo que saem para o jogo. Mudamos a filosofia e perdemos a marcação. As limitações do elenco indicam que devem manter a reatividade.

São interessantes essas observações do médico e escritor Paulo Alexandre. Por outro lado, não é menos verdadeiro que o Ceará jogou sua melhor partida contra o Santos. Seu meio-campo, formado por Dieguinho, Lourenço e Mugni, passeou leve, solto e criativo por todo o tempo do jogo.

E aí estamos diante da própria dialética de Hegel: um processo de desenvolvimento das ideias e da realidade que ocorre em três etapas — tese, antítese e síntese. A tese é a ideia inicial, a antítese é a negação da ideia, e a síntese é a superação do conflito entre as duas, resultando em uma nova forma de atuar.

O técnico Léo Condé se encontra em uma sinuca de bico — tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. É necessário encontrar um equilíbrio entre a defesa, o meio de campo e o ataque. A volta de Marcos Vitor na defesa, de Dieguinho no meio de campo e de Vina no ataque dá forças ao Vovô.