Menu

O doce que vale milhões e movimenta um mercado em expansão no Brasil

O mercado de alimentação no Brasil passa por uma transformação estrutural importante, marcada pela convivência de dois movimentos...
Foto: reprodução

O mercado de alimentação no Brasil passa por uma transformação estrutural importante, marcada pela convivência de dois movimentos aparentemente opostos, mas economicamente complementares: o avanço do consumo saudável e o fortalecimento contínuo do consumo de confeitaria especialmente no segmento de doces. Nesse cenário, a confeitaria se consolida como um dos setores mais resilientes e estratégicos do food service nacional.

Dados do setor indicam a dimensão desse mercado. Segundo estudo da Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o Brasil conta com aproximadamente 179 mil operações entre padarias e confeitarias, o que representa cerca de 14,5% de todo o food service do país, reforçando a capilaridade e a relevância econômica desse ecossistema no consumo diário do brasileiro. Além disso, estimativas do setor de confeitaria e panificação apontam que o mercado brasileiro de produtos de panificação e doces movimenta dezenas de bilhões de reais por ano, com crescimento sustentado por mudanças no comportamento do consumidor, digitalização das vendas e expansão do consumo fora do lar.

Esse movimento é reforçado por um fator central: o doce deixou de ser apenas um item de ocasião e passou a integrar o consumo cotidiano. Como destacou a empresária Mila Ary, fundadora da Empório Brownie, na entrevista ao Programa Mesa de Negócios, esse mercado vai além da loja física e do delivery tradicional. Ele também se estrutura fortemente no segmento de encomendas, atendendo eventos como casamentos, aniversários, formaturas e eventos corporativos, um canal que ganha relevância justamente por manter a demanda ativa ao longo do ano e reduzir a dependência dos períodos sazonais de maior venda, como Páscoa e Natal. Nesse modelo, tanto a Empório Brownie quanto outras marcas do setor encontram uma importante fonte de faturamento contínuo e expansão de margem.

No Nordeste, esse cenário se traduz em oportunidades ainda mais evidentes. Fortaleza se consolidou como um dos pólos mais dinâmicos do setor, com crescimento de marcas autorais, expansão de negócios locais e aumento da demanda por produtos premium. A confeitaria regional acompanha a tendência nacional, mas com forte componente emocional e identidade local, o que amplia o potencial de fidelização e diferenciação de marcas.

Mila Ary, fundadora da Empório Brownie, durante entrevista ao programa Mesa de Negócios. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

É nesse ambiente que a Empório Brownie se destaca como um dos cases mais relevantes do setor. Fundada pela empresária Mila Ary, a marca completa 20 anos de atuação e evoluiu de um negócio artesanal para uma operação estruturada, com 11 lojas próprias em Fortaleza e forte presença no mercado local de confeitaria afetiva. O produto que deu origem à empresa continua sendo seu principal símbolo, o brownie , mas o negócio hoje vai muito além dele.

A empresa entra agora em um novo ciclo de expansão com a construção de uma fábrica própria, resultado de um investimento estimado em R$10 milhões. O projeto tem como objetivo ampliar significativamente a capacidade produtiva e sustentar o crescimento da operação em um mercado cada vez mais competitivo e profissionalizado.

Em entrevista ao Mesa de Negócios, conduzida pelos jornalistas Karla Sousa e Jordan Vall, Mila Ary destacou que o principal desafio da empresa não é apenas crescer em escala, mas preservar identidade. Segundo ela, o diferencial competitivo da Empório Brownie está na capacidade de manter a essência da marca ao mesmo tempo em que evolui para uma estrutura de maior complexidade operacional.

O caso ilustra um movimento mais amplo do setor de confeitaria no Brasil: a transição de negócios artesanais para empresas estruturadas, com capacidade de expansão, padronização e fortalecimento de marca. Nesse contexto, o doce deixa de ser apenas um produto de consumo e passa a ser um ativo de experiência, memória e fidelização.

O crescimento da Empório Brownie também reflete uma lógica clara do mercado contemporâneo de alimentação: empresas que conseguem combinar produto consistente, narrativa de marca e eficiência operacional tendem a ganhar escala sustentável. Em um setor altamente fragmentado, onde predominam negócios pequenos, a profissionalização e a construção de marca se tornam diferenciais decisivos.

No fim, o que o mercado de confeitaria demonstra é que o doce não perde relevância diante das novas tendências de alimentação, pelo contrário. Ele se reposiciona como um produto de valor emocional e econômico elevado, capaz de sustentar negócios de milhões e trajetórias de crescimento consistentes, como ilustra a própria história da Empório Brownie.

A entrevista fica disponível no canal do YouTube do Opinião CE, a partir desta segunda-feira (29).

Novo investimento de R$ 10 milhões busca ampliar a capacidade produtiva e sustentar o crescimento da Empório Brownie. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

AJE Fortaleza firma parceria com Governo do Estado para ampliar oportunidades para jovens da CUFA

A Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE Fortaleza), em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria da Proteção Social (SPS), deu início a uma ação voltada à capacitação e ao fortalecimento da inclusão produtiva de jovens atendidos pela Central Única das Favelas (CUFA).

A iniciativa vai contemplar 25 jovens com um curso de formação em primeiros passos em marketing e vendas, com duração de três meses e aulas realizadas no período noturno, na FaveLab. Além da capacitação técnica, os participantes receberão uma bolsa de incentivo no valor de R$ 200 durante o período de formação. A proposta busca aproximar os participantes do mercado de trabalho por meio da conexão com associados da AJE Fortaleza, ampliando possibilidades de desenvolvimento profissional e geração de oportunidades futuras.

Mercado imobiliário de Fortaleza e Região Metropolitana movimenta R$ 3,9 bilhões em VGV entre janeiro e maio

O mercado imobiliário de Fortaleza e Região Metropolitana segue em expansão em 2026, alcançando a marca de R$ 3,9 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) comercializados no acumulado entre os meses de janeiro e maio. O dinamismo do período também se refletiu no volume de vendas, que totalizou 7.217 unidades residenciais negociadas na região. No recorte geográfico, o VGV Residencial de Fortaleza disparou 53% na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto os municípios da Região Metropolitana registraram um aumento de 19% em seu faturamento residencial.

No recorte de empreendimentos lançados na Região Metropolitana, o crescimento foi de 53% na comparação com os primeiros cinco meses de 2025, saltando de 19 para 29 empreendimentos. Fortaleza também registrou desempenho positivo, com avanço de 13% no número de novos residenciais integrados ao mercado, passando de 16 nos primeiros cinco meses do ano passado para 18 empreendimentos lançados de janeiro a maio deste ano. Os dados foram divulgados, na quarta-feira (24), durante reunião presencial do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon Ceará), realizada na sede da entidade, em Fortaleza.