Reclamei o ano inteiro da proposta de jogo do Ceará, que se baseava em um forte esquema defensivo e em aguardar uma ou duas bolas para fazer um gol de contra-ataque. Mas andei tentando me convencer de que a tática do técnico Léo Condé tinha lá suas razões de ser.
Afinal de contas, o clube tinha um dos menores orçamentos da primeira divisão. Os jogadores escolhidos para a temporada se esforçavam ao máximo para executar as manobras defensivas, com destaque para os dois ponteiros, Galeano e Pedro Henrique, que marcavam como ninguém. Como dizia meu amigo Romeu: era um time de operários.
A torcida compreendia esse esforço e aplaudia a retomada da bola, na expectativa do contra-ataque. E os resultados apareceram. O time se mantinha na metade da tabela e, no final do primeiro turno, a vitória contra o Cruzeiro e o empate contra o Flamengo sinalizaram um caminho certo.
Por outro lado, dificuldades foram surgindo. Sempre que enfrentava equipes no Estádio Castelão e tinha por obrigação demonstrar domínio do jogo e ofensividade, o Ceará empacava e decepcionava. A sensação que passava era de que a equipe tinha se viciado em marcar e contra-atacar.
A derrota para o Internacional ficará na história. A equipe entrou pilhada em campo. Com cinco minutos de jogo, Dieguinho já tinha recebido um cartão amarelo por uma voadora na altura do meio do campo e o Vina, então, tinha sido expulso por ter dado uma entrada violenta, frontal, na canela do adversário.
Como explicar isso? Uma equipe, em um momento superior, jogando dentro dos seus domínios, com o apoio de seus torcedores, comete essas besteiras. Stress? Imagino que seja a resposta. Converso com o psiquiatra Gurgel e ele me diz que o ser humano focado não dá asas à imaginação.
Dou asas à imaginação. Parece que estou vendo jogadores, técnico e dirigentes, de mãos dadas, no vestiário antes da partida, rezando “Pai Nosso que estais no céu”, para que se obtenha a tão sonhada classificação. Natural que a palavra de ordem dada tenha sido “vamos marcar!”.
Exageraram na marcação! Depois dessa derrota, a equipe se desintegrou. Disputou 15 pontos e ganhou apenas 1. Como escreveu Tostão: “Há momentos para agir e pensar, para a velocidade e para a pausa, contração e relaxamento, sístole e diástole. Difícil é correr e pensar”.
