Celebrizada como berço do historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) e do ator e humorista Chico Anysio (1931-2012), Maranguape vive uma história que ninguém gostaria de contar nem de rir. A violência alçou a simpática cidade da Região Metropolitana de Fortaleza ao topo do noticiário nacional sobre segurança pública. Quem mora lá se aflige com os indicadores do setor. Quem não mora e busca alternativas para residir, estudar, trabalhar, investir ou mesmo trafegar tende a se apavorar com os números. Diz-se que Maranguape se tornou território sem lei, que está tomada por facções criminosas. As narrativas políticas, sobretudo da extrema-direita, são as mais sombrias possíveis. Mas não é bem assim. A comunidade tem se articulado para tentar afastar o mau tempo. Funciona lá uma secretaria de Segurança Pública, Trânsito e Transporte, a Prefeitura tem contato direto com o Governo do Estado para promover ações parceiras. Entidades corporativas e sociais procuram ser agentes de mobilização. Tudo isso é importante. E o que falta? Diagnosticar e suprir as lacunas é tarefa complexa. É algo que obriga teoria e prática em sintonia perfeita – ou pensar e agir de modo coordenado. As autoridades sabem disso.
As esperanças na mira
Maranguape registrou em 2025 aumento de assassinatos em relação a 2024. Foram 106 casos de mortes violentas intencionais (MVI, sigla do jargão da segurança), contra 85 no ano anterior, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Essa alta, correspondente a 24%, segue na contramão do que o Estado inteiro fez. E põe a cidade no topo do mais bizarro ranking nacional.
Os números não mentem
O Anuário de Segurança Pública indica que o Ceará fez as MVI (como se classificam homicídio doloso; feminicídio; latrocínio; lesão corporal seguida de morte; morte causada por intervenção policial) caírem 7,7% em 2025, comparando o ano com 2024. No ano passado, houve 3.021 assassinatos em todo o Estado, enquanto no ano anterior foram 3.272 ocorrências.
Prato cheio
O fato é que o desafio de Maranguape não é unicamente local, mas estadual. Não é só a imagem de uma cidade – polo de empresas e de negócios turísticos, ambiente de veraneio e residencial e referência artística, histórica e cultural – que está em jogo. Põe-se na mesa, na verdade, o destino do Estado de forma inteiriça. Quem quer desmontar conquistas tem um prato cheio diante de si.
Pé na areia
Passou no plenário da Assembleia do Ceará o projeto do deputado Sérgio Aguiar (PSB) que torna as barracas da Praia do Futuro patrimônios culturais do Estado. A decisão é espetacular – a começar pela importância que as estruturas têm na geração de emprego e renda em Fortaleza e no robustecimento do mercado turístico. Resta agora só a sanção do governador Elmano de Freitas (PT) para a lei começar a valer.
Aqui, ali e alhures
É fundamental, nesse passo em favor do turismo, tratar de questões aderentes às barracas: ocupação de espaço público, gerenciamento de resíduos, respeito às leis trabalhistas e segurança. E que sejam contemplados também empreendimentos similares em outras praias de Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Cascavel, Pindoretama e Beberibe, Aracati e outros municípios.
“Pra finalmente eu me identificar”
O número é pra lá de expressivo: 41,5 mil atendimentos foram feitos em 2025 pela Casa do Cidadão da Assembleia Legislativa. Mantido em parceria com a Secretaria da Proteção Social do Estado do Ceará, o serviço emitiu no ano passado 13.225 documentos – com destaque para a Carteira Nacional de Identificação.
Mar de gente
A propósito: o Ceará obteve em 2025 o maior índice de turistas internacionais da série histórica do setor. Isso consolida o Estado como uma das principais entradas do visitante estrangeiro no Nordeste. Foram 115.735 turistas internacionais desembarcando no Pinto Martins, em Fortaleza, em voos diretos. Segundo a Secretaria do Turismo, superou-se assim o recorde de 2019, ainda na gestão de Camilo Santana (PT) e era pré-pandemia, com 112.920 estrangeiros.
