Outro dia, vi e ouvi um comentarista de resultados, todo se achando, dizer num programa de televisão, com ar de sabedoria e voz empostada, que os jogadores do Fortaleza chutavam muito mal e, por conta disso, seria importante que o técnico treinasse chutes à meta.
Um parêntese! Estamos em meados de junho e o Fortaleza já disputou o campeonato cearense, a Copa do Brasil e no momento disputa a Copa do Nordeste, o campeonato nacional da primeira divisão e a Copa Libertadores da América. É a equipe que mais viaja no Brasil e vive dentro dos aviões ou chegando e saindo dos hotéis.
Voltemos ao comentarista. Fiquei surpreso já que essa observação não é comum a este tipo de comentarista que nos arquivos do seu computador guarda informações “preciosas” tipo quantas vezes o Fortaleza venceu o Ceara com um gol entre os 40 e 45 minutos do segundo tempo.
Sabe-se também que a opinião destes comentaristas varia de acordo com os resultados da partida. Se amparam no efeito catalisador da vitória ou da derrota. Ganhou, merece elogios, perdeu, procuram-se os culpados, especulando ainda quem deve ser o bode expiatório.
O técnico é sua principal vítima. Procedendo assim, o comentarista de resultados se identifica com uma parcela enorme da torcida. Parece até que existe um fio desencapado que percorre, como se fosse um rastilho de pólvora, da voz do comentarista até a alma do torcedor.
Porém, calcemos as sandálias da humildade e reconheçamos que o comentarista de resultados nos deu uma informação que deve ser levada em conta, e, como o chute é um fundamento técnico do futebol, deve ser treinado para melhorar o rendimento do jogador.
Com pouco tempo para treinamentos devido à maratona de jogos, os técnicos se dedicam mais a corrigir posicionamento dos jogadores em detrimento dos fundamentos técnicos. Nos lances de bola lançada sobre a área, os defensores e atacantes ocupam posições pré-determinadas.
Embora ache a maioria das opiniões dos comentaristas de resultados desinteressantes, eles têm razão quando dizem que o chute tem que ser treinado. O Oscar, cestinha do basquete brasileiro, arremessava 500 bolas diárias em direção à cesta. O comentarista só tem que diminuir a pose e o ar de sabedoria.
