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 O acordo de Paz de Oslo de 1993 – será que agora se concretiza? 

Na manhã da quinta-feira (9), uma amiga de trabalho comunica a todos: “Acabou de ser assinado o acordo de paz entre Israel e o Hamas”. A história, a curiosidade e as opiniões permearam a conversa. Após dois dias da data de dois anos do conflito de Israel e do grupo Hamas – o “acordo de paz” ou cessar-fogo” temporário, vai entrar para os anais da História como mais um capítulo do milenar e sangrento conflito entre os dois povos irmãos no Oriente Médio. Se Abraão soubesse que a sua decisão de expulsar de casa, Ismael, o filho mais velho e a mãe, a concubina Hagar e que de Ismael se originaria a nação dos povos do deserto, os árabes-palestinos e do filho mais jovem Isaac, se originaria uma outra nação, dos hebreus, depois judeus, e hoje, chamados israelenses, talvez o velho Abraão se arrependeria de ter tomado essa decisão de expulsar o filho mais velho, se soubesse que os dois povos irmãos entrariam em conflito pela tal terra prometida, Canaã, até 2025. Quem estuda um pouco de história, preocupa-se com a ordem dos discursos escritos e divulgados em editorias e matérias de jornalistas em grandes jornais, especialmente a grande mídia, que nomeia de guerra o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. E por falar em terrorismo, existem três tipos de terrorismo: de estado, de indivíduos e de grupos, como no caso do Hamas. Todos os grupos terroristas agem por motivações. No caso do Hamas, sua principal motivação é a criação do Estado Palestino. Como o Estado de Israel não aceita a criação do Estado Palestino, o grupo também radicalizou não aceitando o Estado de Israel. Como os palestinos não têm estado, em verdade, Israel, ao atacar com seu arsenal militar e armas com tecnologia avançada com alto poder destrutivo, está realizando um terrorismo de estado, ao fazer um genocídio a céu aberto contra civis desarmados e inocentes. Ou seja, o termo guerra não cabe, pois não houve declaração de guerra entre dois estados. Para melhor entendimento, podemos fazer a seguinte comparação esdrúxula. Digamos que um grupo facionado em uma favela no Rio de Janeiro atua como se fosse um verdadeiro “estado autônomo” com suas leis próprias e coisa tal, à revelia do estado brasileiro. Por algum motivo, realizasse um atentado, matando mais de mil pessoas. Como reação, o estado brasileiro enviou e autorizou o exército e a aeronáutica com seu poder bélico para subir a favela e atacar a população civil com armas de destruição como bombas, drones etc e tal. Pois é, milhares de civis seriam mortos, assim como aconteceu em Gaza, claro com as devidas proporções. Segundo a divulgação da mídia, quando o Hamas lançou o ataque em 2023, provocou a morte de mais de 1.200 pessoas e o sequestro de 251. Desde aquele fatídico 7 de outubro, “mais de 60 mil palestinos morreram em Gaza”, quase um estádio do Castelão lotado. Para quem não sabe, o acordo de Paz de Oslo de 1993, quase alcançou a paz entre os dois povos irmãos.  No referido acordo, Yasser Arafat, representou a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o Estado de Israel foi representado pelo primeiro-ministro Yitzhak Rabin. Em resumo: Arafat, reconheceu a existência de Estado de Israel, e, por outro lado, Rabin, reconheceu a OLP como representante do povo palestino. Rabin, ao se comprometer em retirar da Cisjordânia e da Faixa de Gaza para a criação do futuro território do Estado Palestino e abrir a possibilidade da capital ser Jerusalém Oriental, foi assinado por um judeu extremista. Desde 1948, as grandes potências sempre foram omissas em relação à causa pela criação do Estado Palestino e desprezaram a liderança de Mahmoud Abbas, o presidente moderado da Autoridade Nacional Palestiniana que reconhece o Estado de Israel. Por isso também o fortalecimento político, econômico e militar do Hamas. Trump que desprezava o povo palestino, para quem não lembra, defendeu a retirada dos palestinos da região e inclusive lançou a ideia de fazer um resort para os ricos à beira-mar na Faixa de Gaza. É inacreditável, agora, a grande mídia o elogia pela atuação diplomática no cessar-fogo e de um possível acordo de paz. Isso é uma piada de mal gosto!