Nas festas deste ano, as crianças precisam de você.
Para uma parte importante da população brasileira, o Natal é a comemoração do nascimento de uma criança. Neste Natal, que tal dar atenção especial às crianças que estão perto de você?
Algumas cenas se repetem todos os anos:
Uma criança prefere não abraçar alguém, e escuta as vozes insistentes dizendo: “Abraça seu tio, olha o presente que ele te deu!” ou “Dá um beijo na sua avó, ela gosta tanto de você!”. Como se ganhar um presente, ou ser foco do carinho de alguém, fosse motivo para abraçar e beijar os outros.
Nas mesmas festas, as bochechas das crianças são apertadas, elas são levantadas do chão, passadas de colo em colo, recebem cafunés não-consentidos, e os beijos e abraços não terminam nunca.
Em algum momento da noite, é quase certo que uma criança será interrompida por algum adulto sem paciência para esperar. Qualquer coisa que o adulto queira tende a ser mais importante do que qualquer coisa que a criança esteja fazendo.
Se houver adolescentes – e se não houver – vai haver uma pregação contra a “praga que é esse celular, que eles não largam nunca”. E é quase certo que a pregação será feita por adultos que usam o celular enquanto lavam louça e talvez até enquanto usam o banheiro. Inclusive durante a festa.
Nós, adultos, sabemos que a festa é um momento atípico em que as regras de etiqueta são mais importantes do que no dia a dia. Sabemos que é um intensivão de estímulos e relações que vem e passa em algumas horas. Sabemos que os conflitos das pessoas que comeram demais (e com sorte não beberam demais) vêm e vão rapidamente.
Mas a criança não sabe dessas coisas. E arrisca-se a viver um Natal que, em lugar de ser uma festa das crianças, comemorando o nascimento de uma criança, torne-se uma festa contra as crianças.
Neste Natal, pode ser que caiba a você ser a paz e a esperança das crianças.
Esqueça os presentes. Eles são divertidos, mas não importam muito.
Se puder, vá ao Natal para brincar com tranquilidade. Disponha-se a ser o adulto que conta até mil com a criança curiosa, como minha madrinha fez uma vez. Ou a ser aquele que vai se sentar com uma criança e descascar todas as cebolas da cozinha, como eu fiz com a filha pequena de um casal de amigos de meus pais uma noite.
Você pode ser o adulto que, diante da insistência para uma criança abraçar alguém, interrompa dizendo: “Se ela não quer abraçar, eu quero, vem cá”, e abraça você, desconsertando a situação inteira, mas protegendo a parte mais frágil.
Pode ser você o adulto a interromper a pregação contra as telas, dizendo: “Noite de Natal não é noite de apontar os defeitos dos outros, né, gente? Esses pequenos ainda têm muita vida pela frente e têm menos defeitos do que qualquer um de nós!”.
As crianças precisam de adultos seguros, que representem um contraste diante da opressão e da humilhação que vivem, especialmente em ambientes de pouco autocontrole e uma intimidade às vezes forçada.
A festa de Natal é maravilhosa. É minha favorita. Ela pode ser a favorita de todas as crianças, se um adulto como você estiver presente.
Uma lista de excelentes presentes
Se você ainda não comprou presentes para as crianças, aqui vai uma lista de opções maravilhosas:
Uma caixinha de fósforos com sementes que germinam fácil, dentro de uma caixa com três ou quatro vasinhos, um saquinho de terra e um de pedregulhos, para a criança plantar.
Se for dar algo que faça barulho, escolha um desses: uma flauta de Pã; um pífano de bambu com cinco furos; uma kalimba ou um maracá. O som desses é quase sempre agradável e não irrita ninguém.
Blocos de montar são sempre bons: Legos, Blocos de Engenheiro, mega blocos ou blocos magnéticos.
Para presentear com livros, dê o favorito de sua infância ou foque em excelentes ilustrações (que em geral acompanham bons textos), ou aceite a sugestão de um bom vendedor ou bibliotecário.
