Essa não é a primeira vez que reflito sobre a mensagem que geralmente aparece ao realizarmos um cadastro. “Não sou um robô”. Basta que a gente clique em cima confirmando e aparecem mais etapas para que possamos acessar algum serviço. Outras cronistas já falaram desse estranhamento e desse lembrete tão importante.
Assim como muita gente, também já tive algumas dúvidas se sou ou não um robô. No entanto, em mim, a dor é um lembrete que surge em momentos de piloto automático.
Seja com uma enxaqueca repentina ou uma tensão nos ombros, a dor faz com que eu perceba que tenho sim limites e que ando longe de ser um robô.
Robôs conseguem realizar múltiplas tarefas com muita eficiência. Podem passar vários dias com a bateria carregada. Se em seu rosto houver um sorriso, ele não sairá de lá de jeito nenhum, assim como as palavras amáveis que podem ser programadas.
Gente é feita de carne, osso e emoções. Se não cuidamos da nossa manutenção, quebramos. A mais frágil geralmente é a mente, que produz as emoções. Essa, nem sempre consegue se recuperar.
Podemos colocar a vida no automático. Tem gente que passa anos desse jeito. Alguns têm a capacidade de congelar o coração e manter apenas o racional funcionando. É mais fácil do que se expôr. Dá para simular um sorriso fake e ser gentil com todos para evitar perguntas desnecessárias. Mas a que custo?
Se eu fosse fria desse jeito, o que nunca consegui, talvez estivesse mais sadia. Porém, minha criatividade teria se esvaído. Meu criar está diretamente relacionado com as emoções. É um dom dúbio, que me traz dor e deleite.
Por isso, não consigo me sentir culpada das minhas pausas, nem dos pequenos luxos, como um chocolate de vez em quando, uma vela perfumada, um livro novo. Tudo está conectado para manter a engrenagem da minha criatividade funcionando, assim como a minha mente.
Tem dias em que vou ter que me estender a manhã toda dormindo para compensar os dias em que dormi quatro horas. Nos fins de semana, intensifico os exercícios e atividades com o corpo porque geralmente a rotina da semana me engole. Isso é saudável? Não. Mas é o jeito paliativo de levar a vida no momento. Meus passos no sentido da vida ideal são miúdos. Me disseram que o importante é continuar. Estou seguindo o conselho.
