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Não há apaziguamento nem perdão para quem tenta matar a Democracia

Palácio do Planalto na Praça dos Três Poderes em Brasília

Apaziguamento e anistia. Essas têm sido palavras usadas com frequência por bolsonaristas após o frustrado golpe contra a Democracia, em 8 de janeiro, no qual se tentou envolver Forças Armadas e polícias com a pressão da violência, da depredação e das ameaças. Há uma guinada radical na retórica dos liderados por Jair Bolsonaro – o ex-presidente que deixou para o Brasil as marcas de 700 mil mortes e da destruição de atentados contra sedes de poderes constituídos.

Antes, falava-se que minorias deveriam se curvar às maiorias ou desaparecer. E acusavam-se fraudes no sistema eleitoral. E se pregava a disseminação de armas. E, nos ataques terroristas, prometiam em quebrar tudo, c*g*r em tudo, “pegar o Xandão”. Sim, os seguidores de Bolsonaro, no mais rigoroso modelo adotados por nazistas e fascistas após a Segunda Guerra Mundial, quando tiveram de se confrontar com a Justiça, agora se mostram dóceis. Clamam por respeito, direitos humanos e compaixão. Exigem tratamento especial.

Tá dito
Sobre isso, vale citar o ministro do STF Alexandre de Moraes, presidente do TSE, em despacho sobre a inclusão de Jair Bolsonaro entre os investigados por atos antidemocráticos: “A Democracia brasileira não irá mais suportar a ignóbil política de apaziguamento, cujo fracasso foi amplamente demonstrado na tentativa de acordo do então primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain com Adolf Hitler”.

Sobrevoo
O deputado estadual Acrísio Sena (PT), professor e historiador, assumiu uma causa pra lá de justa: a do respeito a personalidades importantes para o Ceará. É o caso do aviador Euclides Pinto Martins (Camocim, 1892 – Rio de Janeiro, 1924). A empresa Fraport, firma alemã que toma conta do aeroporto de Fortaleza, resolveu riscar do mapa a homenagem que Pinto Martins recebeu dos cearenses – que emprestaram ao equipamento o nome do desbravador. Acrísio não quer deixar que o desprezo decole.

Nem aí
A lei federal 1.602, de 13 de maio de 1952, determinou que o antigo “aeroporto do Cocorote, em Fortaleza, Estado do Ceará”, recebesse o nome de Pinto Martins. A lei foi promulgada pelo então presidente da República, João Café Filho. Mesmo tendo relevância legal, a decisão de 71 anos atrás foi abatida pela Fraport sob o complacente olhar dos procuradores do MPF.

Heroísmo
Pinto Martins fez o primeiro voo sobre o Oceano Atlântico entre Nova York (EUA) e o Rio de Janeiro, no início da década de 1920, pilotando o hidroavião Sampaio Correia II. Na época, o aviador tinha apenas 30 anos de idade. Ele percorreu 5.678 km em três meses.

Aumigo
Antes de deixar a Câmara Municipal, da qual era presidente até se eleger deputado estadual, o então vereador Antônio Henrique (PDT) pôs para tramitar projeto que autoriza a Prefeitura de Fortaleza a estabelecer pelo menos um “cachorródromo” por regional. Ideia boa: tanto para pets quanto para tutores e para a saúde pública.

Bate-bola
Pode não ser coincidência, daí vale notar: os jogadores (ou ex-jogadores?) Robinho e Daniel Alves, enrolados em casos de violência sexual na Europa, se destacaram entre atletas que manifestaram apoio a Jair Bolsonaro em 2022. Neymar, que recentemente escapou o rigoroso fisco espanhol, meio que batendo na trave, também. Que time, hein?

Lá e cá
Esta Coluna é publicada simultaneamente no portal InvestNordeste (www.portalinvestne.com.br) e no jornal Opinião (www.opiniaoce.com.br), sempre às terças e quintas-feiras e aos sábados. Os textos estão também no site https://bit.ly/3q4AETZ. Roberto Maciel também participa do podcast Papo de Cabeça, no YouTube (https://bit.ly/3cP1JHu) e nas plataformas Deezer e Spotify. O podcast é produzido em parceria com o jornalista Maurição Lima e tem notícias, entrevistas e análises políticas.