A informação foi apurada pelo Tribunal Superior Eleitoral: de 2016 para 2020, aumentou 21% o número de mulheres candidatas a vice-prefeita no Brasil. É um avanço, sem dúvida, pois em tese amplia as participações nos processos de escolha, mas chama atenção pela desproporção em relação aos cargos de prefeita (4% de aumento no mesmo período) e de vereadora (6%). A questão é simples: por que mulheres se destacam como candidatas a vice e não têm tanto espaço nas disputas para prefeita ou para as câmaras municipais?
Há quem possa indicar aí um resíduo do machismo estrutural que sobrevive na política nacional. Mulheres, nesse contexto excludente, são tratadas como coadjuvantes para dar aos eleitores a impressão de que são apresentadas chapas mistas, que contemplam gêneros de forma igual? É isso o que precisa ser atacado com urgência, mas numa circunstância que só se pode alcançar se houver conscientização das legendas e de todos os agentes políticos. Enfim, em que haja mudança de postura. A manipulação de cotas, como fez o PL em 2022 no Ceará, não é aceitável numa cena em que o discurso igualitário ganha expressão mas não agrega elementos fáticos.
É POUCO
A Justiça Eleitoral mostra também que as chapas compostas apenas por mulheres – concorrendo juntas à prefeitura e à vice-prefeitura – têm correspondido a pouco mais de 2% do total de formações registradas.
FIGURAÇÃO
Vale lembrar que Fortaleza só teve duas experiências de gestões femininas, ambas do PT, com Maria Luiza Fontenele (1986-1989) e com Luizianne Lins (2004-2012). Já como vice, teve Isabel Lopes (2001-2004), em gestão de Juraci Magalhães. Jovens e negros têm recebido tratamento semelhante ao que os partidos dão a mulheres: figurantes que, no geral, são deixados à deriva na primeira crise – que o digam Marlon Cambraia e Carlos Veneranda.
NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRAM
Já o Ceará teve Izolda Cela (então no PDT), que foi vice-governadora na administração de Camilo Santana, chegando depois a governadora, e tem agora Jade Romero (MDB), vice de Elmano de Freitas.
HOMENAGEM
Tramita na Assembleia projeto que dá ao anexo onde funciona a Procuradoria Especial da Mulher do Legislativo do Ceará o nome de vereadora Yanny Brena Alencar Araújo. Médica e presidenta da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Yanny foi assassinada em 2023 pelo namorado, Rickson Pinto, que se matou após o crime. A vereadora tinha apenas 26 anos de idade. A proposta é do deputado Marcos Sobreira.
LETRA A MÚSICA
Do espetacular e inteligentemente diferenciado Gilberto Gil: “A extrema-direita precisará lidar com as grandes necessidades das massas no mundo inteiro. As elites que se cuidem. Se não incluírem o povo, explodem”. Gil não citou nomes, mas a fala cabe direitinho no que está se passando na viizinha Argentina com o lunático Javier Milei.
RECADO DADO
Há um tom de enorme segurança em declaração do virtual candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza, Evandro Leitão: “Em 2024, estou colocando o meu nome à disposição do meu partido. Caso não venha a ser o escolhido, irei não só empunhar bandeira, mas pedir voto para aquele que for escolhido. Acredito em projeto. Não acredito apenas em pessoas”.
ALERTA
Mais do que um comprometimento com o eleitor de que não fugirá para Paris nem para o Rio de Janeiro se não for o escolhido, Evandro deixa avisado – ou avisada – quem se meter a boicotar a candidatura petista neste ano. Se a regra é para um é também para todos.
REZA FORTE
Em geral um sujeito comedido, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) soltou os cachorros para cima do ex-presidente Jair Bolsonaro: “É um desocupado”. Quem há de contestá-lo?
