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Mulheres e mães: dedicação, trabalho, violência e as seduções que as rodeiam

Viajando com um amigo, nesses dias que as águas de março vão chegando, ali, ao passar em frente ao Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), na BR 116, contei-lhe da lembrança de infância que tinha do equipamento e da explicação do meu saudoso pai: “Filho, isso é uma cadeia, onde os criminosos vão ficar presos”. Lembro que disse ao meu pai: ‘A vovó disse para eu não prender os passarinhos na gaiola, porque eles ficavam tristes presos. Deve ser triste ficar aí’. Na época, na minha percepção de criança, aquelas pessoas que chegavam, pareciam-me humildes e tristes. Vinham a pé ou de bicicleta. Porém, de uns 20, 15 anos para cá, venho observado a mudança no poder aquisitivo dos visitantes, suas aparências e a presença de carros novos e caros estacionados para a visitação. Então, em um tom crítico, disse-lhe: “Será que agora, os ricos estão sendo presos?”. Ele rapidamente argumentou: “Que nada, os criminosos e seus crimes são outros – traficantes, milicianos, de facções. Gente que tem dinheiro”. Claro que o argumento-resposta não explica tudo, contudo, hoje, nos faz refletir também sobre a relevância que se dá ao ter e não do ser e a impunidade para alguns. De fato, quem quer que sejam os criminosos, de qualquer classe social, ninguém quer perder a liberdade. Políticos, nem se fala! Inclusive, o ex-presidente. Para os criminologistas, um dos fatos indiscutíveis é que, “os homens cometem crimes violentos em taxas significativamente mais altas do que as mulheres em todo o mundo”, inclusive contra as mulheres. As pesquisas também apontam que só cresce o número de mulheres sendo cooptadas pelo crime das mais diversas formas. Emblemático, o caso de Larissa Umbuzeiro, de 29 anos, médica que dá dicas de estética nas redes sociais, e leva uma vida confortável. Ela foi presa em São Paulo, por lavagem de dinheiro, e acusada de ser financiada pela venda de maconha. Segundo as informações divulgadas nas mídias, o pai, Rener Umbuzeiro plantava a erva em suas fazendas e investia em imóveis de luxo. Ele envolveu a mulher Niedja e as filhas. Esta rica família da Bahia possui um patrimônio estimado em mais de R$ 50 milhões. Outro dia, conversando com uns amigos e amigas sobre a questão de gênero, coloquei em pauta na conversa, o seguinte: “todos sabem que é senso comum entre os brasileiros, que os políticos em sua grande maioria são corruptos, ladrões, e por aí vai. Que uma grande porcentagem deles respondem por dois, três ou mais processos, vivem com mulheres e/ou são casados. Então”, argumentei, “Eles se utilizam das mais variadas formas ilícitas, como por exemplo – compram carros novos para mulheres e filhos, fazem viagens, compram imóveis de luxo, que não condizem com os seus salários. Então, essas mulheres não percebem? Por que não os cobram? Por que não os denunciam? São cúmplices? Isso também não é crime?!” Eis, um tema de pesquisa para os sociólogos de plantão. Eita, só agora que me dei conta de estar escrevendo, sexta, dia 8 de março, Dia Internacional da mulher. Viva as mulheres que nos carregam nas entranhas e nos dão vida – nos alimentam, nos educam, morrem por nós, não inventam e nem fazem guerras.