Desde segunda-feira, 2 de fevereiro, entrou oficialmente em campo o MED 2.0, a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Em bom português: é a tentativa mais robusta até agora de aumentar as chances de devolver o dinheiro de quem caiu em golpe. Não é milagre, mas é um belo upgrade no sistema. Até aqui, o MED “antigo” funcionava mais ou menos assim: você sofria a fraude, avisava o banco e o sistema tentava bloquear o dinheiro só na primeira conta que recebeu o Pix. O problema é que golpista não dorme no ponto. Em minutos, a grana já tinha passado por várias contas intermediárias. Resultado? Em 2025, menos de 10% do valor contestado voltava para a vítima. Frustrante é pouco.
O que muda com o MED 2.0? Agora o jogo virou um pouco. O sistema passa a seguir o rastro do dinheiro, acompanhando o caminho que o Pix fez depois do golpe. Se a grana foi pulverizada em várias contas, o mecanismo tenta identificar onde ainda há saldo, bloqueia esses valores e inicia o processo de devolução de forma automática e sequencial. Em outras palavras: não é mais “perdeu na primeira conta, perdeu geral”. O Pix agora tem memória — e uma boa dose de curiosidade investigativa.
Como funciona, na prática: A vítima identifica a fraude e aciona o banco pelo aplicativo; O banco inicia a chamada Recuperação de Valores; O sistema do Pix rastreia as transações ligadas ao golpe; Um algoritmo prioriza onde há mais chance de encontrar dinheiro; As instituições envolvidas bloqueiam os valores e analisam o caso; Confirmada a fraude, começam as devoluções, uma a uma.
E o prazo? O processo pode levar alguns dias — geralmente entre 7 e 11 dias, dependendo da complexidade do caminho percorrido pelo dinheiro. Não é instantâneo, mas é muito mais eficiente do que antes. Importante: o MED 2.0 passou a ser obrigatório para todas as instituições que oferecem Pix — bancos tradicionais, digitais e fintechs. Existe um período de adaptação técnica até maio, mas a regra já está valendo. Por que isso importa? Porque o golpe só funciona quando é fácil escapar. Ao dificultar a dispersão do dinheiro e marcar contas envolvidas em fraudes, o MED 2.0 aumenta o custo do crime. Não acaba com os golpes, mas deixa o caminho bem mais arriscado para quem tenta se aproveitar do sistema.
No fim das contas, o Pix continua rápido, prático e gratuito — só que agora, menos injusto quando algo dá errado. E, convenhamos: já era hora. Boa semana, bons investimentos e cuide bem das suas finanças.
