Lula participou como convidado, dia 17, da 37ª Cúpula da União Africana, formada por 55 países, na Etiópia. Em seu discurso, pediu apoio dos países africanos ao sistema de governança global e voltou a criticar Israel e os ataques ao povo palestino, defendendo a criação de um Estado Palestino livre e soberano, e reconhecido como membro pleno das Nações Unidas. Ao justificar sua crítica, disse: “ser humanista, hoje, implica condenar os ataques perpetrados contra o Hamas, contra os civis israelenses e demandar a libertação imediata de todos os reféns.
Ser humanista, impõe igualmente o rechaço à resposta desfechada desproporcional de Israel que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza, em sua ampla maioria mulheres e crianças provocando o deslocamento forçado de mais 80% da população”.
Ao defender a criação de um Estado Palestino como membro pleno da ONU, Lula foi demonizado pelo movimento sionista e a extrema direita. Para os desavisados, o acordo mais próximo de uma suposta paz entre judeus e palestinos partiu do ex-primeiro-ministro israelense Yitzak Rabin, – ex-embaixador de Israel em Washington e ex-oficial-general que supervisionou, em 1967, a vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias contra os países árabes-palestinos. O Acordo de Oslo de 1993 foi celebrado e assinado em setembro daquele ano, na capital dos EUA, quando Rabin e Yasser Arafat, líder palestino, apertaram a mão de Bill Clinton.
O acordo histórico permitia autonomia às cidades onde viviam os palestinos e a intenção da criação do Estado Palestino. Em novembro de 1995, após seu discurso pela paz em Israel, Rabin foi assassinado a tiros por Yigal Amir, um extremista de direita, que depois de preso confessou à Justiça de Israel: “Meu dever era matar Rabin. Era um dever sagrado”. Pois é, a extrema direita de Israel também faz atentados e mata patrícios. Não sei por que desse estardalhaço: em seu discurso, Lula também condenou Adolf Hitler e o extermínio realizado pelos nazistas, solidarizando-se com os judeus submetidos ao genocídio. Além disso, fez severas criticas aos países ricos que, de forma omissa ou propositada, reduzem ou cortam a ajuda humanitária ao povo palestino.
Em Brasília, dia 21, logo veio a reação do amigo histórico, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken conversou com Lula, mas, como já era de se esperar, segundo as mídias, Blinken disse que seria “urgente a libertação de todos os reféns para aumentar a assistência humanitária e melhorar a proteção dos civis palestinos e que discordava das declarações de Lula sobre o genocídio em Gaza e da comparação da morte de palestinos em ataques israelenses ao Holocausto contra os judeus”. Quer dizer então que crianças e mulheres inocentes vão continuar morrendo? Ao que parece, o discurso de Lula agradou a maioria dos países, inclusive ao Papa.
Então, seria melhor o Brasil continuar sendo governado, por um presidente que batia continência à bandeira norte-americana, não era bem recebido e, por vezes, era até menosprezado pelos líderes e eventos internacionais? Maquiavel já alertava e recusava, “a figura do bom governo encarnada no príncipe virtuoso, portador das virtudes cristãs, das virtudes morais. O príncipe precisa ter virtude, mas esta é propriamente política”. Será possível que o Brasil também não possa ter o seu lugar ao sol?
