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João Carlos de Souza – Um juiz ladrão

Segundo Platão, existem três tipos de homens: “os mortos, os vivos e os que andam no mar”. Essa frase é uma forma de dizer que a vida marinha é cheia de perigos e aventuras, e que os homens que se aventuram no mar são diferentes dos que vivem na terra. Os vivos são aqueles que vivem na terra, em suas rotinas e responsabilidades, mas que podem escolher viver a vida de forma mais plena e ativa. Os que andam no mar são aqueles que se aventuram, que buscam o desconhecido, que se arriscam e vivem a vida em sua máxima intensidade, seja em viagens, conquistas ou em busca de conhecimento e experiências. Dentro das quatro linhas do filósofo e matemático grego Platão, que viveu em Atenas, 348/347 a.C., no período clássico e que foi autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental, jamais imaginaria que séculos após as suas divagações sobre homens sérios, como juízes, um tal de dr. João Carlos de Souza Correa, fosse indiciado pelo furto da imagem de uma santa. O TJ-RJ decidiu pela aposentadoria compulsória dele. A pena é considerada a mais grave entre as aplicáveis aos magistrados, apesar de manter o salário e os benefícios do punido. Ora, assim é muito bom, viu, Platão? Esse é o mundo dos tipos de homens que não têm o menor constrangimento em negociar a dignidade, o pudor e a vergonha, na terra, no mar, nos tribunais, onde se espelham nos exemplos de seus pares, muitos deles ímprobos, a “qualidade” do desonesto. Seguramente, não ligará para a turba que repetirá, quando ele, igualmente cínico, desfilar pelas ruas e avenidas da impunidade, escutar um coro conhecido: “JOÃO CARLOS, LADRÃO, TEU LUGAR É NA PRISÃO!” E ele, nem aí, porque existem homens, meu caro Platão, que roubam sem pejo, sem acanhamento.