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Já faz tempo esse negócio de adultização de crianças

A adultização de crianças já acontece e faz tempo na Terra Brasilis. A nova onda agora é a infantilização de adultos e tratar cachorro como criança-filho. Entre os anos de 1992 a 1995, vendendo o conhecimento como professores, viajávamos de ônibus a Sobral, Crato e Juazeiro, eu e dois amigos, um também professor de história e o outro de física, e grande conhecedor do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Tínhamos muito tempo na viagem para conversar ou tomar uma cerveja e outra. Na época, chamou-nos muito atenção a nova onda musical que invadiu as rádios e a televisão brasileira, quando o grupo “É o Tchan!” alcançou projeção nacional e tornou-se um fenômeno cultural. Conversávamos sobre o crescimento da música de entretenimento, da banalização das letras e melodias, e acreditem, falávamos sobre a sexualização exposta no modo de vestir – sapatos, roupas e nas danças das crianças, leia-se: meninas, ao dançarem os sucessos do grupo: “Pau que nasce torto/Melô do Tchan”, “Segura o Tchan!” e “Ralando o Tchan”. Obviamente, não tenho nenhuma intenção aqui de demonizar o grupo musical. No entanto, em 1993, o documentário, “Muito Além do Cidadão Kane”, no qual compara o poder de Charles Foster Kane na mídia dos EUA com o poder da Rede Globo e seu dono Roberto Marinho, na manipulação e falta de compromisso com a realidade social, – vale a pena lembrar, o depoimento no documentário do romancista, dramaturgo e autor de telenovelas Dias Gomes: “As novelas revelam comportamento, a realidade da sociedade, o que ela quer ver e ouvir”. Pois é, o tempo mudou, hoje, as novelas não influenciam em quase nada o comportamento social. O TikTok, influenciadores digitais, blogueiros, vloggers, youtubers, jogadores de futebol, religiosos, quer sejam católicos ou evangélicos, e políticos, quem determinam os comportamentos e condutas sociais. Naquela época, nas salas de aulas, já alertavam sobre a sexualização das meninas, inclusive, lendo e mostrando estudos científicos alertando sobre roupas curtas, os rebolados e danças das meninas aceleravam a precocidade de suas sexualidades. À época, ouvi muitos relatos de meninas adolescentes, assim: “Isso é besteira, professor!”, inclusive de algumas mães: “Isso é exagero. Elas ficam bonitinhas, são apenas crianças!”. Por aqui, parece que tudo é besteira: “Acelerar a sexualização de meninas e meninos”, “Empresário matar um gari com um tiro, voltar para casa, ir à academia e passear com cachorro”, “Presidente não eleito, general, pastor, deputados, senadores policiais federias tentarem dar um golpe de Estado, inclusive com pretensões de matar, presidente eleito, o vice e ministro do STF”, “Submeter a nossa soberania a um país estrangeiro”, “A infantilização de adultos”, etc e tal. Em verdade, a cada ano que passa, os professores de ciências humanas são cada vez menos ouvidos ou têm influência social e política. A grande mídia dita, de certa forma, uma nova moral social – regras e normas de conduta, como também de impor limites. A sexualização das meninas ou adultização, como queiram chamar, está por aí, ao vivo e cores. Foi preciso um youtuber, influenciador digital e humorista conhecido como Felca, denunciar à exposição erótica de crianças e a coisa virou um redemoinho social e político. Os políticos, por outro lado, não perdem a chance de estarem na mídia, como ficou clara na argumentação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta ao colocar em pauta como tramitação em regime de urgência o projeto que combate a adultização de crianças nas redes sociais, ao afirmar: “A adultização saiu das telas e ganhou as ruas”, defendendo a criação de mecanismos para combater a superexposição sexual de crianças nas redes socias, entre outros pontos: “Regras para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, a responsabilização das plataformas e a obrigação da retirada de conteúdos criminosos mesmo sem decisão judicial”. Mas, a turma do PL não gostou por achar uma ameaça a liberdade de expressão. Como cantava Cazuza: “Brasil, mostra a tua cara!”.