Em junho de 1997, eu estava determinado a parar com esse ‘negócio’ de professar ideias. Um mês antes, no saudoso colégio Geo, numa reunião ouvimos de um diretor: “Vocês vão ter que utilizar computares em sala de aula. Se vocês não se modernizarem, os alunos vão acessar, livros, bibliotecas e vão saber mais que vocês. Para acelerar o processo, o colégio financiará computadores a todos os professores”. Não pela tecnologia que batia a porta, mas diante do meu mal-estar daquela educação repetitiva e enfadonha, — a convite de um amigo fui à Europa. Visitei praças, palácios, museus, obras de arte, e a mala veio pesada de livros, e na cabeça muitas ideias de como utilizar os novos materiais em sala.
Aquele julho, foi determinante à continuidade no magistério, mas poucos têm essa oportunidade. Na semana passada, o Centro Universitário Unichristus promoveu o “Ciclo de Formação Continuada Docente”, oferecendo palestras aos professores-educadores como “A Realidade Virtual: uma ferramenta de aprendizado imersivo e interativo”, o professor, doutor de forma didática e competente, mostrou-nos como a inteligência artificial vai intervir nas nossas vidas, nos diagnósticos de investimentos e rendimentos de empresas, inclusive, tomando decisões sem a necessária intervenção de gerentes e diretores, e que na realidade da vida virtual, quase será extinta a documentação impressa.
Diante dessa realidade já existente, comentei: “Então, as empresas, as grandes corporações e os Estados, irão decidir, dar estatuto de fonte documental do que será ou não preservado? E as pesquisas? E a história?”. Em outra palestra, “O Impacto do ChatGPT na Educação Superior: a oportunidade que você tida professora pesquisadora, ao final alertou-nos de forma didática: “Como vocês observaram, o ChatGPT é um sistema inteligentíssimo. Para que vocês tenham uma resposta precisa, é preciso saber perguntar, usar as palavras corretas e, se possível em inglês”.
Diante do exposto, refleti com a professora: “Em meados dos anos 80, a utilização das transparências era a revolução como recurso didático em sala de aula, logo depois, outra inovação, a TV com videocassete para a exibição de filmes, e, claro, em poucas escolas. Em meados dos anos 2000, a lousa digital invadiu o mercado educacional como o recurso tecnológico que mudaria a educação”.
Pois é, assim como nos anos anteriores, quer com videocassete ou quer com lousa digital, os professores sempre precisaram da teoria e terem um conhecimento mais holístico para darem sentido as suas aulas, organizar os textos digitalizados ou não, assistir aos filmes, ouvir músicas – preparar as aulas, organizar e definir a metodologia a ser trabalhada, e, agora com o ChatGPT, mais que nunca.
Uma estética e educação como nos desperta, atiça, Gabriel Perissé com professores-artistas, encantadores com mais arte em sala de aula, não seria também interessante?
