Em sua primeira viagem internacional, o Papa Leão XIV visitou a Turquia e a Mesquita do Sultão Ahmed ou Mesquita Azul na cidade de Istambul. Seus antecessores, também a visitaram-na, Bento XVI e o popular Papa Francisco. A Mesquita Azul é um dos marcos mais importantes da arquitetura islâmica otomana. Após a criação do Império Romano do Oriente, Constantinopla passou a competir com Roma, não aceitando o Papa como autoridade suprema da cristandade. Com as divergências, em 1054, aconteceu a ruptura formal entre as duas grandes tradições cristãs: Igreja Católica Apostólica Romana com sede em Roma e Igreja Ortodoxa, em Constantinopla. Em 2006, em sua visita, Bento XVI tinha por propósito tentar unificar as igrejas cristãs e, assim, realizar o sonho do seu antecessor, Bento XV, que desejava que o cristianismo fragmentado com o Cisma do Oriente e a Reforma Protestante pudesse retomar uma unidade espiritual e fraterna, ainda que não fosse uma fusão institucional imediata. A visita de Leão XIV teve outro propósito: evangelizar, ou seja, seguir a ordem direta de Jesus, no Evangelho de Mateus 28:19–20, que traz o que se chama “Grande Comissão”: “Ide e fazei discípulos de todas as nações”, apesar do proselitismo do Cristianismo entender sua mensagem como universal, ou seja, válida para todos os povos, independentemente de cultura ou origem. Ironicamente, nessa viagem, Leão XIV talvez nem estivesse tão envolvido com esse proselitismo, mas pelo menos em manter o número de cristãos na Turquia e no Oriente Médio, ainda que sejam ortodoxos, maronitas ou protestantes. A visita de Leão XIV ao Líbano não foi à toa, em relação ao poder político e religião, o caso do Líbano é emblemático: o presidente da república, Joseph Aoun é cristão maronita, o primeiro-ministro, Nawaf Abdallah Salim Salam é muçulmano sunita e o presidente do parlamento, Nabih Mustafa Berri um muçulmano xiita. O Sumo Pontífice visitou a Igreja Maronita, comunidade cristã oriental muito forte e uma das poucas comunidades cristãs na região. Apesar de os Maronitas seguirem a tradição sírio-antioquina e possuírem liturgia em siríaco (aramaico) e árabe, nunca romperam com Roma, mesmo durante o Cisma do Oriente. Resumo da ópera: O Papa e a cúria romana, com suas funções – diplomática e doutrinal – estão preocupados com a perseguição, violência e redução dos cristãos no Oriente Médio, além é claro da expansão do Islamismo. Por aqui, parece que há muito tempo a igreja já lavou as mãos às incontáveis igrejas protestantes, evangélicas que só crescem, inclusive com envolvimentos políticos questionáveis. E por falar em política, no Rio de Janeiro, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (UB), presidente da Assembleia Legislativa (ALERJ) foi detido pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne, ficando a ALERJ sob o comando interino do deputado estadual Guilherme Delaroli (PL). Pois é, onze partidos deram apenas votos a favor da revogação da prisão, inclusive ditos de esquerda. É, estranho que partidos como: União Brasil, Partido Liberal, dentre outros que se dizem de direita e extrema-direita, não queiram nem ouvir falar em investigação feita pela Policia Federal. A ALERJ dá um show de corrupção, nepotismo, rachadinhas, corporativismo, ideologia religiosa e por aí vai parecendo mais um braço político institucionalizado do estado de direto às facções e ao narcotráfico. No entreouvido da conversa de um bar sobre a ALERJ, o sujeito saiu com essa: “Estamos fds!”.
Igreja Católica e Igreja Ortodoxa: qual o interesse de Leão XIV?
