Nos prêmios gastronômicos, nas listas de indicações, nas redes sociais, não é difícil reconhecer os mesmos nomes todos os anos. São casas já consolidadas, restaurantes tradicionais, cafeterias conhecidas. A qualidade existe, claro. Mas será que isso traduz a cena gastronômica atual? Ou estamos sempre olhando para o mesmo prato, servido da mesma forma?
Enquanto isso, novos lugares surgem com propostas autênticas, preços justos, atendimento caprichado e comida saborosa. Ainda assim, ficam fora dos holofotes, sem espaço para mostrar sua identidade. Falta visibilidade, falta voto, falta oportunidade. E aí, mesmo com consistência e dedicação, eles acabam sendo ofuscados.
Do outro lado, vemos o poder do hype. A fila dobrando a esquina, a foto perfeita para o Instagram, a sensação de estar no lugar da vez. Mas, muitas vezes, quando chega a hora da experiência, ela não corresponde: pratos que demoram, comida morna, atendimento confuso. É o clássico caso de ser mais bonito no feed do que no prato.
Não se trata de negar o mérito de quem já conquistou reconhecimento. Pelo contrário: tradição e consistência merecem ser celebradas. Mas será que os critérios que definem o que é “o melhor” não precisam ser revistos? Afinal, gastronomia é experiência completa: sabor, ambiente, serviço, memória. E isso vai muito além do modismo.
No fim, talvez o grande desafio seja equilibrar. Valorizar quem já construiu sua história, abrir espaço para quem está chegando com autenticidade e olhar com mais calma para além do hype. Porque comida de verdade não precisa de filtro — precisa de sabor, de alma e de vontade de voltar.
