Mudanças não são fáceis para crianças pequenas, mas alguns cuidados podem tornar o processo mais amigável.
Crianças pequenas gostam de coisas que se repetem. Pedem para ler o mesmo livro todas as noites, assistem aos mesmos desenhos, e cantam as mesmas músicas várias vezes seguidas.
A repetição traz tranquilidade para as crianças, e é só a partir da tranquilidade da repetição que as crianças desenvolvem coragem para experimentar coisas novas.
Vemos isso no comportamento delas. É comum, por exemplo, que nossos filhos ajam com muito cuidado quando estão visitando um amigo, e a família nos diga que “são uns anjos”.
Em casa, onde tudo é conhecido, o ambiente é o mesmo todos os dias, e onde elas conhecem os adultos e suas possíveis reações, nossos filhos se sentem mais à vontade para experimentar. Mexem nas panelas e potes plásticos, testam as ferramentas e brincam com água no quintal – além de, às vezes, desenhar nas paredes.
Essa experimentação só pode acontecer porque o ambiente é seguro, conhecido, e permanece igual todos os dias.
Outro aspecto da estabilidade que faz bem às crianças está no comportamento de seus adultos.
Algumas crianças têm a sorte de crescerem com adultos que demonstram amor e atenção de maneira incondicional. A certeza do amor é ainda mais importante do que a repetição do mesmo ambiente, e até mais do que a repetição da rotina. Poder contar com os adultos, sem precisar conquistar seu amor, ou encontrar estratégias para receber atenção, é o maior presente que uma criança pode receber.
Sabendo de tudo isso, podemos pensar no que uma mudança grande representa para uma criança, e no que fazer para tornar o processo mais amigável.
Quando um ambiente muda, e a rotina se altera, frequentemente os adultos também se sentem cansados e inseguros, o que dificulta a oferta de amor e atenção de que a criança precisa.
Em momentos assim, nós podemos fazer ajustes pequenos, que dão à criança alguma tranquilidade durante transições ou períodos atípicos.
Mudanças podem ser desde uma visita de domingo à casa da avó, até uma viagem de dois meses ou a transição de uma cidade para outra depois de uma transferência no trabalho.
A primeira medida a tomar é muito prática: Podemos proteger as pontas da rotina. O momento de acordar e a hora seguinte, assim como as duas ou três horas antes de dormir são cruciais. Se pudermos manter a regularidade da rotina e das sequências de rituais nas pontas, a criança fica mais calma.
A segunda medida é oferecer atenção e amor às crianças, mesmo em meio à rotina e ao ambiente alterados. Evidentemente, ficamos cansados. Então podemos oferecer tudo isso de formas um pouco mais tranquilas. Podemos jogar bola com a criança sentados num banco, ou fazer cafuné enquanto escutamos um podcast sossegado. Podemos pedir ajuda para a criança para pequenas coisas, também – é mais um jeito de ficar junto.
Repetir músicas, histórias, rimas, brincadeiras e rituais são mais formas de comunicar à criança que “embora tudo esteja diferente, a vida é a mesma”. E são maneiras de ajudar a criança a se equilibrar e tranquilizar os ânimos em meio a uma vida que está mudando.
Cuide de você ao mesmo tempo
Enquanto você cuida das crianças, é essencial cuidar também de você. Só assim haverá energia para manter a estabilidade de que as crianças precisam.
Lavar seu rosto com calma, beber água prestando atenção, e outros pequenos gestos de cuidado consigo, devem ser ações presentes por todo o seu dia, que “recarregam” nossas baterias, um pouquinho de cada vez. Cuidar das “pontas” da sua rotina, sua manhã e sua noite, também é importante.
Uma última forma de autocuidado que passa despercebida para quase todos os adultos é entrar na brincadeira. Brincar de verdade com as crianças, rir junto e se divertir também nos ajuda a sentir a leveza e a solidez que precisamos ter para oferecer às crianças.
