Menu

FUTEBOL SE APRENDE BRINCANDO     

Nesses tempos de Copa do Mundo, ando lembrando do professor Wilson Sabóia. Técnico campeão do mundo de futsal...
Foto: reprodução

Nesses tempos de Copa do Mundo, ando lembrando do professor Wilson Sabóia. Técnico campeão do mundo de futsal feminino colocou na prática a pedagogia da rua, ou seja, o talento e a criatividade adquiridos na descoberta dos movimentos da própria pessoa e a pedagogia aprendida nas aulas. 

As Copas do Mundo conquistadas pelo Brasil têm mais da pedagogia das ruas. Os dribles, os gols, os passes e o controle da bola de Garrincha e Pelé em 1958 e 1962, Romário e Bebeto em 1994, Ronaldo Fenômeno, Ronaldo Gaúcho e Rivaldo em 2002 atestam o que escrevo.

 A Copa do Mundo de 1970 foi um capítulo à parte. Zagalo, ponta esquerda da seleção nas Copas de 1958 e 1962, era o técnico. No seu tempo de jogador, já compreendia a importância da marcação e recuava pelo lado esquerdo para fortalecer o meio de campo. 

O que fez ele? Escalou cinco meias para atacantes. Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino. Todos recuavam para marcar quando a equipe não tinha a posse da bola e, quando recuperavam a bola, tinham liberdade para atacar, dentro dos seus setores, o adversário. 

De olho nessas informações, vasculho novamente a biblioteca e, tateando, encontro o que também procurava: um caderno com crônicas de trinta anos atrás nas quais reclamava do sistema tático defensivo posto em prática pelo técnico da seleção brasileira.

O título das crônicas era ‘Parreira que não dá uvas’ e o meio de campo do Brasil era formado por Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho. Embora fossem disciplinados e considerados excelentes marcadores, estavam longe, mas muito longe, de serem considerados craques.     

Uma característica unia os jogadores do meio-campo. Todos eram incansáveis marcadores. Dunga tinha um bom passe, mas arrumava o corpo. Assim como o pescador que caminha com a isca no anzol. Anos depois, o Parreira disse numa palestra o porquê desse meio-campo.

Explicou que o calor dessa época nos EUA é muito forte. Se o adversário sair na frente, é preciso muito esforço para recuperar o prejuízo. Parreira era acadêmico e já se alimentava da pedagogia das universidades. O Brasil foi campeão. O craque era Romário, “bamba” na pedagogia das ruas.