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Filme da Barbie sem clichês

Se você utiliza as redes sociais pelo menos 5 minutos por dia, com toda certeza foi atingido pelo viral “Hi, Barbie”. A cor rosa virou cartão de visitas em vitrines, produtos e roupas. Pesquise a palavra “Barbie” e veja que até a Google coloriu sua interface para o tom da boneca mais famosa do mundo, tudo isso pelo novo filme da Warner Bros, que tem direção de Greta Gerwig.

Altamente elogiada pela crítica internacional, a produção mais esperada do ano tem a segunda maior estreia da história do Brasil, sendo assistida por 1,18M de pessoas, segundo informações do O Globo. A mensagem principal, de fato, é um novo propósito e uma nova era no universo cor-de-rosa, desta vez com conscientização, responsabilidade e um encontro da beleza interior, que foca em ser a melhor versão possível de si mesmo.

Reinvente o brincar de boneca em um contexto adultizado, entrelaçando política, economia, diversidade social e marketing (muito marketing). O enredo do filme se resume a expulsão de Barbie do Barbieland (mundo das Barbies) por ser uma boneca de aparência menos do que perfeita, levando-a ao mundo humano em busca da verdadeira felicidade. Loira, branca com olhos azuis, beleza e corpo longe da realidade estética da maioria das mulheres: o estereótipo de “perfeição” da personagem principal – a Barbie Estereotipada, interpretada pela atriz Margot Robbie – é alvo de alfinetadas no próprio roteiro ao padrão de beleza que a imagem da boneca construiu. Na história, ser fisicamente “perfeita” vira alvo de assédio, julgamento e banalização pelos jovens da nova geração.

Ao mesmo tempo, o Barbieland traz diversos padrões físicos da boneca em um elenco que pauta a diversidade étnica racial, sem padrões corpóreos e também com uma atriz transgênero, que interpreta a Barbie médica.

 

GREVE
No último dia 14, os atores de Hollywood entraram em greve por votação unânime realizada pelo Sindicato dos Atores (SAG), em Los Angeles. Divulgada em coletiva de imprensa, a mobilização se deu por falta de negociações sobre a remuneração de profissionais do cinema, que alegaram não receberem o valor ajustado à inflação. A turnê de lançamento do filme foi cancelada após os atores aderirem a greve.

Após semanas de tentativas de negociação com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), uma organização que representa empresas como Netflix, Amazon, Apple, Disney, Warner, NBC Universal, Paramount e Sony, o SAG também apontou pagamentos por ganhos residuais (reprises ou obras que foram para novas plataformas de streaming), além da regulação da inteligência artificial. Com o advento dos streamings, todo ator que não é “A-List” (aqueles que ganham salários enormes e são cotados para vários trabalhos) geralmente não consegue se sustentar com o trabalho de ator.

Aqui no Brasil, quando uma novela é reprisada o ator recebe pelo direito de imagem dele, ao contrário da indústria cinematográfica de outros países. A inteligência artificial surgiu como economia nas produções: os estúdios contratam atores que não são famosos no mínimo possível de diárias, reproduzindo a imagem dos mesmos em cenas por I.A.

 

XENOFOBIA
Margot Robbie foi alvo de ataques xenofóbicos por estado-unidenses incomodados com o seu sotaque. De origem australiana, a atriz recebeu os comentários em perfis de fã base – já que Margot não possui redes sociais -, alegando que por o filme ser gravado nos EUA e a história da boneca ser toda em volta do nacionalismo do país, o sotaque do inglês americano deveria ser obedecido.

 

QUEDA NAS VENDAS
A Mattel passou por inúmeras crises financeiras até entender que o mundo atual em que vivemos é de inclusão e aceitação, acertando em cheio nessa forma de “fazer as pazes”. Uma dica para quem vai assistir e não quer ficar por fora das piadas em torno dos 60 anos da boneca e da história da empresa, é conferir o documentário “Brinquedos que Marcam Época”, na Netflix, o episódio 2 traz todo o começo e as principais polêmicas em torno do universo Barbie.

 

VALE A PENA?
Restringir o filme ao capitalismo é uma visão um pouco restrita e demodê, inclusive abordado de diversas formas durante o enredo. O desejo de consumir o universo da boneca não se reduz ao status, mas sim, ao mundo perfeito e ideal. Barbie pode ter a profissão que quiser, ter ou não um namorado, adquirir posses, enfim, tudo é possível e imaginável no storytelling da boneca, o empoderamento feminino. É uma surpresa sair da classificação infantil e ir ao encontro de um novo olhar sobre uma personagem tão marcante e importante, desconstruindo ideias e reconstruindo um novo futuro. Sucesso merecido.