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Mais e mais pobres

Em 2021, mais de 1,4 milhão conseguiram sobreviver com R$ 168 mensais

Segundo recentemente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,1 milhão de cearenses se tornaram pobres ou extremamente pobres. De acordo com o dado, o aumento foi de 537 mil (extremamente pobres) e de 596 mil (pobres) entre 2020 e 2021. 46% da população cearense vive com R$ 486 mensais.

Em 2021, mais de 1,4 milhão conseguiram sobreviver com R$ 168 mensais. Pobre ou extremamente pobre: ambas as denominações indicam uma condição de humilhação, de miséria, de desconforto, de fome, de preocupações em onde dormir, onde passar a noite, o que comer amanhã de manhã ou no almoço. Pobre ou extremamente pobre, são situações em que os seres humanos não deveriam estar.

O crescimento do número do pauperismo aponta para a impotência do Estado e suas políticas. O Ceará tem grande parte do povo pobre, mas tem também 16 bilionários. O contraste da desigualdade é gritante. Prédios suntuosos, estabelecimentos de luxo, dividem a paisagem com casebres, barracos, lama. Moradores de rua dormem sob a marquise de bancos. O neoliberalismo parece ter implantado de vez a selvageria capitalista.

Bicicletas e motocicletas lotam as avenidas e, disputando com carros, homens carregam velozmente bags com entregas, trabalhadores precarizados. As ruas estão cheias de pedintes. Nos semáforos, pessoas com placas de “Me ajude, estou com fome” passaram a fazer parte da rotina dos motoristas, elas dividem espaço com vendedores ambulantes e flanelinhas, que geralmente são crianças. E tudo parece normal. Mas não está normal.

Como o futuro governo, que já trabalha na transição, encontrará o país? Terra arrasada? Não será um trabalho fácil. A pandemia matou perto de 700 mil pessoas. E o fantasma do vírus permanece rondando por aí, ameaçando a todos. O uso de máscara volta a ser recomendado/exigido em alguns lugares. A relação homem-natureza não parece ter mudado, melhorado, no chamado novo normal pós-pandemia. A humanidade enfrentará catástrofes semelhantes? Sob o poder do atual governo, conforme o IBGE, houve um recorde de número de milionários. Entre janeiro de 2019 a dezembro de 2021, o país registrou 2,1 milhões de pessoas com rendimentos anuais acima de R$ 1 milhão, o que representa menos de 1% da população.

Nesse tempo, 562 mil brasileiros entraram para o clube de privilegiados, o clube dos milionários, enquanto 62,5 milhões afundaram na pobreza, o que representa 29,4% da população. O legado deixado será o de grande desigualdade. Enorme terá que ser o empreendimento e esforço do novo governo em mudar essa conjuntura de pobreza, de fome, de miséria que voltou a assolar fortemente o Brasil nos últimos anos. A reconstrução do país passará por devolver ao povo sofrido a dignidade, a comida, o trabalho, a renda.

*Felipe Feijão é professor e colunista do GRUPO OPINIÃO CE

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