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Faz o L: Larissa ou Luizianne? (Ou “O jogo da política é pesado, cansativo e difícil de ser disputado”)

Enquanto a deputada federal e ex-prefeita Luizianne Lins não elaborou ainda nenhuma consideração crítica incisiva sobre a gestão do prefeito José Sarto (PDT), ao qual diz querer suceder, a deputada estadual Larissa Gaspar já botou o bloco na rua. Em vídeo que circula nas redes sociais, Larissa afirma que o prefeito mente em relação à taxa do lixo ser obrigatória. E diz que “os problemas de Sarto são a incompetência e a falta de vontade política”.

O que aproxima uma da outra, sendo as duas pré-candidatas à Prefeitura de Fortaleza, são somente a inicial “L” nos nomes, a filiação ao PT e as madeixas longas e louras (novamente o “L”, reparou?). Enquanto Luizianne faz de tudo para não se expor no atual momento político, procurando evitar desgastes, Larissa vai à luta em busca de espaços preciosos no cenário político. Não se pode dizer que uma ou outra está errada – até porque ambas tentam superar dificuldades que as afligem -, mas pode ter certeza: vão precisar, de um lado ou de outro, se mexer muito para ganhar a musculatura que uma eleição exige.

TAL PAI, TAL FILHO

Já escrevemos aqui sobre a praga dos projetos clonados, marmota legislativa na qual um parlamentar copia proposta de outro, de estado ou cidade diferente, sem sequer se preocupar em adaptar o texto para a realidade local. Pois o deputado Alcides Fernandes (PL) aprimorou esse arranjo além do que se poderia esperar. Merece o troféu Macunaíma de Preguiça. Ou a Medalha Pedro Malasartes de Malandragem. Ou Oscar João Grilo de Enrolação.

SÓ RESPEITOU OS ERROS DE PORTUGUÊS

Pois Alcides pastorou, tintim por tintim, proposta do filho André Fernandes, de quando o bolsominion era deputado estadual. Em 2020, André Fernandes pôs para tramitar matéria na qual propunha que unidades de saúde não impusessem “qualquer tratamento diferenciado entre pacientes custeados por recursos próprios e aqueles advindo de panos de saúde ou seguros privados de assistência”. Alcides a tirou inteirinha da lixeira. Não mudou nem a ortografia.

PUXANDO O FIO DA MEADA

O engraçado, para não usar outra palavra, é que o mesmo projeto havia sido copiado de um que havia tramitado no Amapá, que já havia sido chupado de um texto da Assembleia de São Paulo. Ambos os “originais” datam de 2016.

BUCHO DE OURO

Um restaurante de Curitiba, que se define como “novo fenômeno da gastronomia paranaense”, lançou item no menu que destoa absurda e debochadamente do necessário senso de responsabilidade na luta contra a fome e a desnutrição. Trata-se de uma refeição envolta “em folha de ouro, acompanhada de tomates cereja confitados, tiras de focaccia artesanal e redução de balsâmico”.

NÃO PERCA PELO NOME

Não deve ser por acaso que o “fenômeno da gastronomia” surgiu onde se criou a “República de Curitiba”, aleijão político nutrido pela deletéria Operação Lava Jato. E onde um vereador acusou que “nordestinos não gostam de trabalhar”. E um desembargador disse que paranaenses têm nível intelectual superior. Também não deve ser por acaso que o prato folheado a ouro se chama “burrata”.

PARALELEPÍPEDO DE CRACK

Vem aí mais uma CPI insana da Câmara federal. É a que está sendo proposta pela seita bolsonarista para “investigar o aumento do uso de crack no País”. Mais de 170 deputados assinaram o requerimento, entre os quais os cearenses André Fernandes e Jaziel Pereira (PL), Luiz Gastão (PSD), Dayanny Bittecourt, Fernanda Pessoa, Danilo Forte e Moses Rodrigues (UB). Será que a CPI da Nóia vai se arriscar a chamar algum miliciano-traficante para depor?

NOSSOS CANTOS

Esta Coluna é publicada sempre às terças, quintas-feiras e sábados no jornal Opinião (www.opiniaoce.com.br) e no portal InvestNordeste (www.portalinvestne.com.br). Os textos do jornalista Roberto Maciel também estão disponíveis no site https://bit.ly/3q4AETZ.