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Excelência não se improvisa

Durante muito tempo, eu ouvi e ainda ouço uma frase muito comum no mercado de eventos: “a gente...

Durante muito tempo, eu ouvi e ainda ouço uma frase muito comum no mercado de eventos: “a gente desenrola”. Porém, com o tempo, eu entendi que excelência não tem nada a ver com desenrolar. Desenrolar é resolver no improviso. Excelência é saber exatamente o que está fazendo. 

Quem contrata um evento não quer alguém que resolva problemas no susto. Quer alguém que antecipe, que planeje, que conduza com segurança. E isso não acontece do dia para a noite.

A primeira vez que eu entrei em uma cozinha profissional, eu tinha 16 anos. Entrei para descascar batata. Um buffet grande, de produção intensa, comida simples, volume alto. Não tinha glamour. Mas tinha processo. Tinha responsabilidade. Tinha ritmo. E, mesmo ali, eu já estava aprendendo.

Aprendendo sobre organização. Sobre antecipação. Sobre o peso de uma entrega bem feita.

Hoje, aos 32, eu olho para trás e entendo que nada foi por acaso. São anos construindo repertório, formando equipe, criando conexões, escolhendo parceiros que caminham juntos, ajustando processos e, principalmente, repetindo com consistência aquilo que funciona. Porque excelência não está no evento grande. Está na forma como ele é conduzido.

Está na postura. Na tranquilidade. No silêncio de quem sabe o que está fazendo. Existe uma confiança muito bonita que nasce disso. O cliente não quer ter trabalho. Ele quer entregar e saber que tudo vai acontecer como precisa acontecer. 

Quando isso acontece, ele sente. Sente na fluidez do serviço, na segurança da equipe, na forma como tudo se encaixa sem esforço aparente. No fim, o que muitos chamam de “desenrolar” é, na verdade, o resultado de anos de prática.

De quem já viu dar errado, de quem aprendeu a antecipar. De quem construiu base suficiente para que, no dia, tudo pareça leve. Excelência não é improviso: é construção e ela começa, muitas vezes, de forma simples, descascando batata.