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EUA e o novo Destino Manifesto na Venezuela: tudo de novo 

Na labuta do dia a dia, em pleno supermercado, um ex-aluno reconheceu-me e saiu com essa: “Professor, os Estados Unidos podem bombardear embarcações, prender petroleiros e invadir a Venezuela?” Na sua pergunta, você já tem parte da resposta. Sim, o Trump está interessado é no petróleo venezuelano e, por extensão, ter o domínio das velhas e novas riquezas da Amazônia, respondi-lhe. Aí, rolou aquele papo. No século XIX, a antropologia, não satisfeita com a ideologia das teorias evolutivas do neocolonialismo, que por trás da ideia de progresso havia uma ideia de civilização, estabelecendo uma hierarquia entre os civilizados, os europeus e norte-americanos, e não civilizados, as populações dos ditos países atrasados. O antropólogo alemão, Franz Boas, construiu uma crítica a essa ideia de progresso e civilização, ao criar o conceito de Relativismo Cultural, ou seja, que devemos entender e aceitar a diversidade sem impor valores e normas alheios, respeitando as culturas, sem que haja qualquer tipo de hierarquia. Os EUA, como defensor dessa ideologia de civilidade e de progresso como forma de dominação, criaram a política do Destino Manifesto ou ideologia político-cultural, amplamente difundida nos EUA ao longo do século XIX, segundo a qual “os norte-americanos acreditavam ter uma missão divina, natural e inevitável de expandir seu território e seus valores” por todo o continente norte-americano do Atlântico ao Pacífico. Em verdade, foi o jornalista John L. O’Sullivan que criou, em 1845, a expressão Manifest Destiny ao defender que os EUA foram escolhidos por Deus para levar: a civilização, a democracia liberal, o cristianismo protestante e o capitalismo aos territórios do Oeste. Explico melhor: exterminando e expulsando os povos indígenas e tomando os territórios de países vizinhos. Com a sua postura imperialista e intervencionista, dentro e fora do continente, os EUA inventaram uma guerra contra o México, 1846–1848, com o objetivo de anexar os territórios da Califórnia, Texas, Novo México e Arizona. Em 1898, ainda utilizando-se do Destino Manifesto, anexaram e passaram a ter controle sobre Porto Rico, Guatemala, Filipinas e grande influência na América Central. Pois é, Doutrina Monroe, resumida na frase: “A América para os americanos” é a nova versão do novo Destino Manifesto ou neoimperialismo de extrema-direita trumpista, quer o petróleo venezuelano e, por extensão, as riquezas da Terra Brasilis. Os governantes norte-americanos já têm experiência e sabem que esse negócio de impor esse modelo de democracia liberal, de cristianismo protestante e de capitalismo não funciona. É só lembrar do fiasco que foram as tentativas dessas imposições no Afeganistão e no Iraque, onde o exército norte-americano matou milhares de inocentes, dentre eles mulheres e crianças. Se os israelenses mataram milhares de palestinos inocentes a céu aberto, os russos continuam matando e devastando a Ucrânia e nada aconteceu. Imagina o que irá acontecer à Trump e seus governantes de extrema-direita: nada. Acorda, Brasil! Feliz Natal.